Bombeiro filmado a retirar fio de ouro de idoso em paragem cardiorrespiratória

Elemento dos Bombeiros Voluntários de Agualva-Cacém foi suspenso e impedido de entrar no quartel. Família confrontou a corporação com imagens de videovigilância; bombeiro nega ter furtado o colar.

Um elemento da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Agualva-Cacém (AHBVAC) foi filmado a retirar um fio de ouro da casa de um idoso que se encontrava em paragem cardiorrespiratória, durante uma ocorrência na madrugada de domingo.

O homem, com mais de 80 anos, acabou por morrer no local, tendo o óbito sido declarado pela equipa da Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) do INEM.

Família apresentou imagens à corporação

A ocorrência aconteceu por volta das 04h05, quando os bombeiros foram chamados para prestar assistência ao idoso.

Cerca de três horas depois, pelas 06h50, a filha da vítima confrontou o comandante da corporação, João Raminhos, com imagens captadas por uma câmara de videovigilância instalada no quarto onde terá ocorrido o desaparecimento do fio.

Segundo a corporação, as imagens estão agora “sob apreciação das autoridades competentes”, a quem caberá o apuramento dos factos.

Bombeiro foi suspenso

O comandante confirmou ao Jornal de Notícias que, perante as evidências apresentadas, foram tomadas de imediato medidas relativamente ao bombeiro.

O elemento foi suspenso, entregou a farda e ficou impedido de entrar no quartel. Segundo João Raminhos, houve uma tentativa de obter a devolução do colar, mas o bombeiro terá negado as acusações.

A direção da associação determinou entretanto a abertura de um processo disciplinar e de um procedimento de averiguação relacionado com a atuação do elemento durante a ocorrência.

Foi também acionado acompanhamento jurídico e instaurado o respetivo processo disciplinar, tendo em vista o apuramento dos factos e a adoção das medidas que venham a ser consideradas legalmente adequadas.

Estava na corporação há apenas dois meses

A AHBVAC esclareceu que o trabalhador estava ao serviço da associação há cerca de dois meses e que, até ao momento da ocorrência, não existiam registos de comportamentos ou situações que levantassem reservas quanto ao seu desempenho ou idoneidade.

De acordo com a informação transmitida pelo anterior corpo de bombeiros onde exerceu funções, o elemento era considerado um trabalhador com mérito e bom desempenho profissional.

Corporação repudia comportamento

Apesar de o processo estar ainda em fase de apuramento, a associação afirma repudiar de forma “firme e inequívoca” qualquer comportamento que possa comprometer os valores de integridade, confiança, respeito, humanidade e rigor associados à missão de socorro e proteção de pessoas e bens.

A corporação manifestou ainda solidariedade para com a família do idoso, lamentando a “perturbação, preocupação e inquietação” provocadas pela situação.

O caso encontra-se agora sob apreciação das autoridades competentes, enquanto decorre também o processo disciplinar interno.

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