Gás lacrimogénio, confrontos e incêndios marcaram uma nova jornada de protestos. Estudantes contestam cortes nas bolsas, falta de condições nas escolas e redução de vagas universitárias. Governo acusa grupos violentos de se infiltrarem na mobilização.
A mobilização estudantil que começou na região de Paris e se tem alargado a várias zonas de França voltou esta sexta-feira a ser marcada por confrontos entre manifestantes e forças de segurança, incêndios e atos de vandalismo.
Segundo um balanço divulgado pela polícia e citado pelos meios de comunicação franceses, pelo menos 600 pessoas foram detidas e cerca de 400 liceus encontram-se encerrados numa tentativa de conter os distúrbios.
As manifestações têm como principais reivindicações melhores condições de ensino, o fim da redução de vagas nas universidades e a suspensão dos cortes nas bolsas de estudo.
Gás lacrimogénio e confrontos em várias cidades
A tensão aumentou em diferentes pontos do país. Em Aubervilliers, nos arredores de Paris, bem como em Toulouse, Rennes e Marselha, registaram-se confrontos entre manifestantes e forças policiais.
Imagens divulgadas ao longo do dia mostram gás lacrimogénio, caixotes do lixo incendiados, danos em espaços públicos e confrontos nas ruas.
Em alguns dos incidentes, as forças de segurança recorreram a cassetetes e balas de borracha.
O Governo francês sustenta que grupos violentos terão aproveitado a mobilização estudantil para se infiltrar nos protestos, uma interpretação que surge num contexto de crescente tensão entre manifestantes e autoridades.
Centenas de feridos
O ministro da Justiça francês, Gérald Darmanin, anunciou entretanto que pediu aos procuradores que procurem responsabilizar civilmente os pais pelos danos provocados pelos filhos.
Segundo o governante, cerca de 300 polícias e militares da Gendarmerie e mais de 60 professores e responsáveis de estabelecimentos de ensino ficaram feridos durante os incidentes.
Os prejuízos provocados em estabelecimentos de ensino, sobretudo nos acessos e portões dos liceus, já estão estimados em vários milhões de euros, segundo estimativas divulgadas por regiões como Île-de-France, Grand Est e Auvergne-Rhône-Alpes.
Estudantes prometem continuar mobilização
Perante a escalada dos protestos, o Governo anunciou a criação de uma plataforma de concertação destinada a discutir os problemas apontados pelos estudantes.
A medida, contudo, não travou os apelos à continuação dos bloqueios.
Após uma reunião com o ministro da Educação, representantes dos sindicatos estudantis disseram ter obtido respostas sobre questões como horários escolares, saúde mental e condições dos edifícios, mas lamentaram a ausência de compromissos concretos.
Os representantes estudantis defenderam, por isso, a continuidade da mobilização nas escolas secundárias.
Polícia deixa alerta aos pais
A Polícia Nacional francesa apelou entretanto aos pais para que recordem aos filhos que participam nos protestos as regras de segurança.
As autoridades alertaram para a presença de indivíduos violentos, alguns alegadamente armados, e recomendaram aos jovens que mantenham distância de situações de confronto e sigam as instruções policiais.
A mobilização, que começou na região parisiense na semana passada, continua assim a alastrar pelo país, num cenário marcado simultaneamente pelas reivindicações estudantis e por episódios de violência e vandalismo.
📢🔴 Votre enfant participe aux blocus et mobilisations lycéennes ? Rappelez-lui les bons réflexes pour sa sécurité.
La présence d’individus violents et parfois armés conduit à des situations qui peuvent rapidement dégénérer.
Pour sa sécurité, il doit rester à distance et respecter les consignes des policiers.Vous disposez d’informations concernant des faits susceptibles de présenter un risque ? Signalez-les aux policiers sur Ma Sécurité : https://t.co/jRHC5apvMU— Police nationale (@PoliceNationale) October 2, 2026



































