João Cancelo e Gonçalo Ramos deram a volta ao marcador no Dragão e confirmaram a qualificação da Seleção, que mantém o pleno de vitórias sob o comando de Jorge Jesus
Portugal está nos quartos de final da Liga das Nações. A Seleção Nacional bateu este domingo a Noruega por 2-1, no Estádio do Dragão, depois de ter estado em desvantagem no marcador, e garantiu uma das duas vagas do Grupo A4 na fase seguinte da competição.
Kristoffer Ajer colocou os noruegueses na frente aos 36 minutos, mas João Cancelo respondeu pouco depois, com um remate de longa distância, e Gonçalo Ramos consumou a reviravolta aos 79 minutos, após uma excelente jogada coletiva.
O triunfo permitiu ainda a Jorge Jesus manter o registo perfeito desde que assumiu o comando da equipa nacional, com quatro vitórias em quatro jogos.
Noruega marca primeiro, Cancelo responde
Portugal entrou melhor na partida e procurou assumir o controlo através da posse de bola e de ataques em zonas mais adiantadas do terreno.
Vitinha e João Cancelo ameaçaram a baliza norueguesa nos primeiros minutos, mas o guarda-redes Egil Selvik respondeu com segurança.
A Noruega também criou perigo e acabou por chegar ao golo aos 36 minutos. Após um livre de Martin Ødegaard, Kristoffer Ajer aproveitou uma sobra dentro da área e rematou cruzado, sem hipóteses para Diogo Costa.
A reação portuguesa não demorou.
Aos 38 minutos, João Cancelo recebeu após um lançamento de linha lateral de Nuno Mendes e, de fora da área, rematou forte para restabelecer a igualdade.
Foi o 14.º golo de Cancelo pela Seleção Nacional, reforçando o estatuto de defesa mais goleador da história da equipa das quinas.
Gonçalo Ramos completa a reviravolta
Portugal entrou mais determinado na segunda parte e voltou a criar perigo junto da baliza norueguesa.
João Cancelo voltou a testar Selvik aos 55 minutos, enquanto Erling Haaland teve uma oportunidade para recolocar a Noruega em vantagem, mas sem conseguir acertar na baliza portuguesa.
A resposta portuguesa surgiu aos 79 minutos.
Vitinha lançou João Félix com um excelente passe aéreo e o avançado encontrou Gonçalo Ramos na pequena área. O ponta de lança não desperdiçou e fez o 2-1, marcando pelo terceiro jogo consecutivo pela Seleção Nacional.
A Noruega não conseguiu voltar a incomodar seriamente Diogo Costa até ao final.
Francisco Conceição expulso nos minutos finais
Portugal terminou a partida com dez jogadores.
Francisco Conceição, que regressava após uma lesão, recebeu dois cartões amarelos em poucos segundos, aos 86 minutos, quando estava prestes a ser substituído, acabando expulso.
Pouco depois, o árbitro italiano Maurizio Mariani chegou a mostrar, por engano, um cartão vermelho a Bruno Fernandes, corrigindo de imediato a decisão e exibindo amarelo ao capitão português.
Apesar da inferioridade numérica, a Seleção conseguiu segurar a vantagem e confirmou mais uma vitória no Dragão.
Portugal já está nos quartos de final
Com este triunfo, Portugal chegou aos 12 pontos e garantiu matematicamente uma das duas vagas do Grupo A4 nos quartos de final.
A Dinamarca segue no segundo lugar, com seis pontos, depois de vencer o País de Gales por 1-0. Noruega e País de Gales somam três pontos, enquanto a Noruega ocupa a última posição.
O primeiro lugar do grupo será decidido na janela internacional de novembro.
Portugal, atual detentor da Liga das Nações e vencedor das edições de 2019 e 2025, volta assim a marcar presença nos quartos de final da competição.
Quatro vitórias em quatro jogos com Jorge Jesus
Jorge Jesus tornou-se no primeiro selecionador português a iniciar uma edição da Liga das Nações com quatro vitórias consecutivas.
O triunfo frente à Noruega surgiu num ambiente particularmente marcado pela polémica em torno da saída de Cristiano Ronaldo do estágio da Seleção.
Antes do início da partida, o nome de Jorge Jesus foi recebido no Dragão com um misto de aplausos e assobios.
Apesar do contexto, a equipa respondeu dentro do campo e somou a quarta vitória consecutiva desde a entrada do novo selecionador.
Portugal alcançou ainda a 10.ª vitória consecutiva no Estádio do Dragão, recinto onde já tinha assegurado a qualificação para os quartos de final na anterior edição da Liga das Nações.
Declarações do selecionador de POrtugal, Jorge Jesus, na sala de imprensa do Estádio do Dragão, após a vitória por 2-1 ante Noruega, em jogo da quarta jornada do grupo A4 da Liga das Nações:
Jorge Jesus não recua perante Ronaldo: «Não peço desculpas a ninguém»
Selecionador português responde à polémica com Cristiano Ronaldo, garante que o avançado continua convocável e admite o seu regresso já na próxima convocatória.
Jorge Jesus não baixa a cabeça perante a polémica com Cristiano Ronaldo. Depois da vitória de Portugal sobre a Noruega, por 2-1, o selecionador abordou sem rodeios o episódio que levou o capitão português a abandonar o estágio e deixou uma mensagem clara: não considera ter feito nada de errado e não vê razões para pedir desculpa.
«Para mim, no princípio, nunca foi um caso. Foi uma coisa que achava normal como treinador», afirmou Jorge Jesus, numa conferência de imprensa marcada por declarações fortes sobre o episódio que dominou os últimos dias na Seleção Nacional.
«Não peço desculpas a ninguém»
O selecionador deixou claro que não pretende alterar a sua posição por causa da dimensão mediática que o caso ganhou.
Jorge Jesus entende que, enquanto treinador, existem princípios que não podem ser colocados em causa, independentemente do nome ou estatuto do jogador.
«Há princípios como treinador que são inegociáveis», afirmou, sublinhando que não considera ter ultrapassado os limites da sua autoridade.
E, apesar da polémica, garante que a relação profissional com Cristiano Ronaldo não está quebrada.
Ronaldo continua convocável
A prova de que Jorge Jesus não encara o episódio como uma rutura está na possibilidade de Cristiano Ronaldo voltar a vestir a camisola de Portugal já na próxima convocatória.
«O Cris na próxima convocatória será, caso esteja a jogar no Al Nassr, um jogador convocável, se ele quiser regressar à seleção», revelou.
Uma declaração que contrasta com o ambiente de tensão criado após a saída do avançado do estágio da Seleção e que deixa agora a decisão também nas mãos do próprio Ronaldo.
«Não pode cobrar uma amizade de um ano»
Jorge Jesus rejeitou ainda a ideia de que a amizade que mantém com Cristiano Ronaldo devesse interferir nas suas decisões enquanto selecionador.
«Não pode cobrar, na minha opinião, uma amizade de um ano numa situação que não dá para entender», afirmou.
O técnico considera que o episódio ganhou proporções muito superiores precisamente porque envolve um dos maiores símbolos da história do futebol português.
«Só porque foi ele, criou-se — e se calhar bem, porque é um símbolo — este problema todo de entrar, aquecer, não entrar…»
«Quantos hoje aqueceram e não entraram?»
A comparação feita pelo selecionador foi direta. Jorge Jesus lembrou que aquecer e não entrar em campo é uma situação perfeitamente normal no futebol e questionou por que razão o caso de Ronaldo deveria ser tratado de forma diferente.
«Quantos hoje aqueceram e não entraram? Vai haver algum problema? Não. Com o Cris é diferente, é o símbolo. Mas é um problema», afirmou.
É precisamente esse estatuto especial que, segundo Jorge Jesus, transformou uma decisão técnica num caso nacional.
A bola está agora do lado de Ronaldo
Com a porta da Seleção novamente aberta, Jorge Jesus deixa agora a decisão nas mãos de Cristiano Ronaldo. Se estiver a jogar no Al Nassr e quiser regressar, o capitão português poderá voltar a ser convocado.
O selecionador, por seu lado, não dá sinais de arrependimento e mantém a autoridade sobre as decisões da equipa.
A polémica pode, assim, estar longe de terminar. Mas Jorge Jesus deixou uma coisa bem clara: não pretende pedir desculpa e não vai abdicar dos princípios que entende serem essenciais no comando da Seleção Nacional.
Declarações do selecionador da Noruega, Stale Solbakken, na sala de imprensa do Estádio do Dragão, após a derrota por 2-1 ante Portugal, em jogo da quarta jornada do grupo A4 da Liga das Nações:
Diferenças de Portugal do que viu no Mundial 2026 e agora na Liga das Nações:
«É claro que há algumas diferenças na pressão, também no escalamento da equipa. Mas também vimos um jogo equilibrado com a Espanha no Mundial, em que sofreu um golo perto do fim. Penso que tem ideias interessantes na equipa, jogadores de classe mundial, se alguém fica de fora há casos como o do Bernardo Silva, um médio, que joga no Real Madrid, e que teve cerca de cinco minutos de jogo. Ou seja, ter a possibilidade de alterar e ter este tipo de jogadores é uma grande vantagem. Penso que Portugal, ao lado de Espanha e França, é uma das três melhores equipas da Europa neste momento.»
Ficha de Jogo
Jogo disputado no Estádio do Dragão, no Porto.
Portugal – Noruega, 2-1.
Ao intervalo: 1-1.
Marcadores
0-1, Kristoffer Ajer, 36 minutos.
1-1, João Canecelo, 38.
2-1, Gonçalo Ramos, 79.
Equipas
– Portugal: Diogo Costa, João Cancelo (Diogo Dalot, 63), Rúben Dias, Renato Veiga, Nuno Mendes, João Palhinha (Rúben Neves, 63), Vitinha (Bernardo Silva, 86), Francisco Conceição, Bruno Fernandes (Francisco Trincão, 90+2), João Félix (Nuno Tavares, 90+2) e Gonçalo Ramos.
(Suplentes: Rui Silva, Samuel Soares, Diogo Dalot, Tomás Araújo, Nuno Tavares, Rúben Neves, João Neves, Bernardo Silva, Francisco Trincão, Pedro Neto, Rafael Leão e Fábio Silva).
Treinador: Jorge Jesus.
– Noruega: Egil Selvik, Fredrik Aursnes, Kristoffer Ajer, Leo Ostigard, David Wolfe, Sander Berge, Patrick Berg (Thelo Aasgaard, 87), Martin Odegaard, Andreas Schjelderup, Erling Haaland (Strand Larsen, 67) e Antonio Nusa (Oscar Bobb, 74).
(Suplentes: Orjan Nyland, Sander Tangvik, Marcus Pederson, Sondre Langas, Odin Bjortuft, Kristian Thorstvedt, Thelo Aasgaard, Oscar Bobb, Strand Larsen, Ole Blomberg e Erik Botheim).
Treinador: Stale Solbakken.
Árbitro: Maurizio Mariani (Ita).
Ação disciplinar: Cartão amarelo para João Cancelo (12), Francisco Conceição (86 e 86) e Bruno Fernandes (88). Cartão vermelho por acumulação de amarelos para Francisco Conceição (86).
Assistência: cerca de 49.000 espetadores.
































