29.º Encontro de Tocadores de Concertina encerrou cinco dias de celebração das tradições minhotas, com forte adesão do público e jovens talentos a demonstrar que a música popular continua viva.
A música tradicional minhota foi a protagonista do último dia da Festa das Colheitas de Vila Verde. O tradicional Encontro de Tocadores de Concertina, que este ano chegou à 29.ª edição, reuniu numerosos participantes e visitantes no recinto da Rota das Colheitas, encerrando o certame, que decorreu entre 7 e 11 de outubro.
Ao longo de cinco dias, a iniciativa voltou a destacar a riqueza das tradições locais, a gastronomia, o artesanato e a identidade cultural do concelho, com uma programação dedicada à valorização do mundo rural e dos costumes minhotos.
O encontro de concertinas constituiu um dos momentos mais emblemáticos do encerramento, juntando tocadores de diferentes idades e demonstrando a capacidade da música popular para atravessar gerações.
A presidente da Câmara Municipal de Vila Verde, Júlia Rodrigues Fernandes, fez um balanço positivo da edição deste ano, destacando a adesão do público e o envolvimento das entidades e dos grupos participantes.
«Estamos perante uma das maiores festas do concelho», afirmou a autarca, agradecendo a todos os grupos que se inscreveram e participaram no evento.
A responsável salientou ainda a importância do trabalho conjunto na organização da iniciativa, considerando que a Festa das Colheitas permite mostrar «aquilo que Vila Verde tem de melhor».
Segundo Júlia Rodrigues Fernandes, a capacidade de receber os visitantes e a aposta nas tradições contribuíram para o sucesso do certame, que classificou como uma das «maiores edições de sempre».
A autarca destacou também a preferência do público por eventos genuínos, ligados às raízes e à identidade da região, sublinhando o envolvimento de diversas pessoas e entidades na concretização da festa.
Música tradicional passa de geração em geração
O 29.º Encontro de Tocadores de Concertina voltou a evidenciar a vitalidade de uma das expressões mais características da cultura popular minhota. No palco, cruzaram-se tocadores experientes e jovens músicos, num encontro marcado pela partilha, pelo convívio e pela defesa das tradições.
Entre os participantes esteve Manuel Dias, natural de Terras de Bouro, que destacou a importância destas iniciativas para aproximar as pessoas e preservar a música tradicional.
O tocador, com vários anos de experiência, considera que estes encontros são fundamentais para manter viva a tradição e garantir a sua continuidade.
«As pessoas poderem conviver umas com as outras e não deixar acabar a tradição» é, na sua perspetiva, uma das principais razões para continuar a participar.
Manuel Dias chamou ainda a atenção para o crescente interesse dos mais novos pela concertina, considerando que existem muitos jovens com talento e dedicação, capazes de assegurar a continuidade desta expressão musical.
Francisco Maltês, de 11 anos, é uma das promessas
A presença das novas gerações ficou também representada por Francisco Maltês, de apenas 11 anos, integrante do grupo Os Amigos do Vira.
O jovem começou a tocar concertina aos sete anos e mostrou que a paixão pela música tradicional não depende das preferências dos amigos ou da popularidade de outros estilos musicais.
«Por acaso, os meus amigos não gostam muito disto, mas eu não ligo», confessou, garantindo que pretende continuar a tocar.
A participação de jovens como Francisco demonstra que a concertina continua a conquistar novos intérpretes, mantendo-se como um símbolo da identidade cultural minhota.
Festa das Colheitas reforça identidade de Vila Verde
O encerramento da Festa das Colheitas voltou a colocar em evidência a importância do certame na promoção das tradições, dos produtos locais e da economia do concelho.
A iniciativa reúne anualmente produtores, artesãos, associações, grupos culturais e visitantes, criando oportunidades de divulgação das atividades económicas e dos saberes tradicionais da região.
Para além da componente económica, a festa assume um papel relevante na transmissão de costumes entre gerações e na valorização do património imaterial minhoto.
Com o som das concertinas a marcar o último dia, Vila Verde despediu-se de mais uma edição do evento, reafirmando a aposta numa celebração que combina cultura popular, convívio e promoção do mundo rural.
































