Produtores reclamam indemnizações justas e soluções eficazes para proteger os animais. Governo garante que os apoios foram reforçados e que está a trabalhar para compatibilizar a conservação do lobo com a atividade pecuária.
Cerca de uma dezena de criadores de gado da região Norte concentrou-se esta segunda-feira junto à Casa das Arcos, em Arcos de Valdevez, para exigir ao Governo medidas concretas contra os ataques do lobo e indemnizações que consideram justas pelos animais mortos.
O protesto decorreu à margem de um fórum sobre pastorícia extensiva, que reuniu mais de 200 participantes e contou com a presença do secretário de Estado do Ambiente, João Manuel Esteves. A sessão de encerramento estava prevista para ser assegurada pelo ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes.
«Estamos fartos de canções, queremos ações», afirmou à agência Lusa Olegário Gonçalves, porta-voz da União de Produtores de Gado Lesados pelos Lobos (UPGALL), defendendo que os criadores precisam de respostas concretas para os prejuízos que enfrentam.
Os manifestantes exibiram cartazes com mensagens dirigidas ao Governo, exigindo medidas de proteção dos efetivos pecuários e contestando a dependência das indemnizações como forma de compensar as perdas.
Criadores alertam para o futuro da pecuária
Olegário Gonçalves alertou para os impactos dos ataques nos efetivos de raças autóctones, que considera constituírem um importante património genético nacional.
O representante dos produtores descreveu a situação como um problema grave para a atividade pecuária na região, defendendo que a proteção dos animais e a continuidade da produção devem merecer maior atenção por parte das autoridades.
Os criadores reclamam, assim, medidas que permitam prevenir os ataques e reduzir os prejuízos, além de mecanismos de compensação considerados adequados às perdas sofridas.
Governo garante reforço das indemnizações
À chegada ao fórum, o secretário de Estado do Ambiente recordou que o lobo é uma espécie protegida, mas sublinhou que essa condição não significa que os produtores pecuários devam ficar sem apoio.
João Manuel Esteves destacou o Programa Alcateia, lançado há cerca de um ano e com duração prevista de dez anos, que procura conciliar a conservação do lobo com a atividade pastoril e minimizar os prejuízos causados pelos ataques.
Segundo o governante, o Executivo atualizou os valores de referência utilizados no cálculo das indemnizações, incluindo os montantes por quilo de carne e as compensações aplicáveis a diferentes tipologias de animais.
O secretário de Estado afirmou que, com as alterações introduzidas, algumas indemnizações duplicaram e outras triplicaram, reconhecendo, contudo, que os valores poderão continuar aquém das expectativas de alguns produtores.
Alterações nos processos de indemnização
O Governo avançou também com alterações aos procedimentos de verificação dos ataques, da responsabilidade do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).
De acordo com João Manuel Esteves, foi eliminada a redução sistemática das indemnizações quando um produtor sofria mais do que um ataque. Foi igualmente alterado o regime aplicável a situações em que o cadáver do animal desaparece, permitindo o pagamento de uma compensação reduzida quando existam elementos que confirmem o ataque do lobo.
O governante referiu ainda medidas destinadas a melhorar a eficácia das vedações e a recuperar o ecossistema do lobo, nomeadamente através do aumento das populações de presas selvagens.
Para o secretário de Estado, estas alterações representam um avanço face à situação anterior, embora os criadores continuem a reclamar soluções que garantam maior proteção dos seus efetivos.
Programa prevê investimento na conservação do lobo
O Programa Alcateia 2025-2035 prevê medidas de conservação da espécie e de apoio aos produtores afetados. Segundo os dados apresentados, o programa dispõe este ano de um orçamento de 3,3 milhões de euros.
O levantamento nacional identifica quatro núcleos populacionais de lobo: Peneda/Gerês, Alvão/Padrela, Bragança e Sul do Douro. No conjunto, estão contabilizadas 58 alcateias — 56 confirmadas e duas prováveis —, com uma população estimada em cerca de 300 animais.
O desafio passa por conciliar a proteção de uma espécie legalmente protegida com a viabilidade da pecuária extensiva, uma atividade relevante para as economias rurais e para a preservação das raças autóctones.
Apesar das medidas anunciadas pelo Governo, os produtores que se deslocaram a Arcos de Valdevez insistem que pretendem ações concretas no terreno para prevenir novos ataques e garantir condições para continuar a atividade.
































