Bairro do Picoto: JS de Braga exige calendário para realojar famílias e alerta para degradação das casas

Após uma visita ao bairro, a Juventude Socialista reclama respostas da Câmara de Braga e da BragaHabit sobre o futuro dos moradores. Fissuras nas paredes, receios quanto à cobertura dos edifícios e incerteza sobre o realojamento estão entre as preocupações identificadas.

A Juventude Socialista (JS) de Braga exige esclarecimentos sobre o processo de realojamento das famílias do Bairro do Picoto e reclama a definição de um calendário concreto para a resolução de uma situação que se arrasta há vários anos.

Na sequência de uma visita realizada no sábado, acompanhada por Marta Ferreira, candidata à Junta de Freguesia de São Lázaro, a estrutura socialista alertou para os sinais de degradação das habitações e para a preocupação dos moradores com a falta de informações sobre a sua transferência para outras casas.

A iniciativa permitiu à comitiva contactar diretamente com os residentes e conhecer os problemas que continuam a afetar as famílias, que aguardam por uma solução definitiva para as condições habitacionais no bairro.

Fissuras nas paredes e preocupação com os telhados

Durante a visita, os representantes da JS entraram numa das habitações, onde observaram fissuras nas paredes. Uma das residentes manifestou também receio quanto ao estado dos telhados, que afirmou conterem amianto, defendendo a realização de obras enquanto não estiver garantido o realojamento.

Segundo a informação divulgada pela estrutura socialista, um dos moradores referiu ainda que a sua habitação tinha sido identificada pela Proteção Civil.

Durante o contacto com os residentes, foi também mencionada a morte de 15 pessoas ligadas ao bairro, que uma moradora associou a doenças oncológicas. A JS não apresentou dados que permitam estabelecer uma relação entre esses casos e as condições das habitações, pelo que essa associação carece de confirmação pelas autoridades competentes.

Relatório já identificava problemas nas habitações

A situação do Bairro do Picoto não é recente. Construído na década de 1990, o conjunto habitacional tem sido alvo de avaliações devido às condições de habitabilidade.

Segundo informação divulgada em 2025, um relatório da Proteção Civil identificava problemas de insalubridade nas 38 habitações então existentes e considerava inviável a sua reabilitação.

Este diagnóstico reforça a preocupação em torno do futuro das famílias que continuam a residir no bairro e da necessidade de encontrar uma solução que assegure condições de habitação adequadas.

Câmara de Braga e BragaHabit sob pressão

Perante este cenário, a Juventude Socialista considera que a mudança na administração municipal não pode traduzir-se em novos atrasos na resolução do problema.

A estrutura pede à Câmara Municipal de Braga e à BragaHabit que esclareçam o ponto de situação do processo, tornem públicas as próximas etapas e apresentem um calendário para o realojamento das famílias.

A JS defende igualmente a adoção de medidas de proteção para os moradores que permanecem no bairro enquanto aguardam uma solução definitiva, nomeadamente perante os problemas identificados nas habitações.

Para os socialistas, a prioridade deverá passar por garantir respostas concretas às famílias, assegurar condições de segurança e habitabilidade e evitar que a indefinição em torno do realojamento prolongue uma situação que se mantém há vários anos.

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