Antigo presidente da Mesa da Assembleia Geral considera que a convocatória para 30 de outubro é vaga e não garante informação suficiente aos sócios sobre a possível cedência de 17% da SAD à VSports. Defende a alteração da ordem de trabalhos e o adiamento da reunião para 6 de novembro.
Belmiro Pinto dos Santos, antigo presidente da Mesa da Assembleia Geral do Vitória Sport Clube e candidato à presidência nas últimas eleições, considera que a Assembleia Geral Extraordinária convocada para 30 de outubro de 2026 está marcada por irregularidades e pode colocar em causa a independência do clube.
Num comunicado enviado ao Grupo Santiago, o antigo dirigente classifica a reunião como «irregular, com objecto simulado e facilitadora de actos fraudulentos», contestando a forma como foram apresentados os pontos da ordem de trabalhos e a falta de informação sobre as alterações em discussão.
Críticas à convocatória e ao cumprimento dos estatutos
Belmiro Pinto dos Santos começa por questionar a substituição da Assembleia Geral Ordinária, que, segundo os estatutos do Vitória, deve realizar-se até 31 de outubro de cada ano para apreciar, discutir e votar o relatório e as contas do exercício anterior.
Na sua perspetiva, a reunião ordinária obrigatória foi substituída por uma assembleia extraordinária destinada a deliberar sobre matérias relacionadas com a VSports, entidade que detém uma participação no capital social da SAD vitoriana.
O antigo presidente da Mesa da Assembleia Geral considera que o adiamento da reunião ordinária para 6 de novembro representa uma violação das regras estatutárias e acusa a Direção e a atual Mesa da Assembleia Geral de desrespeitarem os interesses do clube e dos seus associados.
Cedência de 17% da SAD e alterações aos estatutos em causa
Um dos principais motivos de contestação prende-se com a proposta de transmissão à VSports de 17% do capital social da Vitória SC Futebol SAD atualmente detido pelo clube.
Segundo Belmiro Pinto dos Santos, a convocatória não especifica o valor a pagar pela VSports pela aquisição das ações, levantando dúvidas sobre as condições em que poderá ocorrer a operação.
O antigo dirigente critica igualmente o segundo ponto da ordem de trabalhos, que prevê uma autorização genérica para a Direção alterar os estatutos da SAD. Na sua opinião, a convocatória deveria identificar expressamente os artigos a modificar e apresentar o conteúdo concreto das alterações pretendidas.
Para sustentar a sua posição, recorda a Assembleia Geral Extraordinária de 19 de maio de 2023, na qual, afirma, a convocatória identificava os artigos dos estatutos abrangidos pelas alterações propostas e incluía um documento comparativo com as redações em vigor e as alterações pretendidas.
«Isto é transparência, honestidade e independência!», defende.
Receio de perda de poder e identidade do Vitória
No comunicado, Belmiro Pinto dos Santos alerta para as consequências que, na sua perspetiva, poderão resultar de uma autorização ampla para alterar os estatutos da SAD sem um escrutínio efetivo dos associados.
O antigo candidato à presidência considera que a formulação da ordem de trabalhos pode representar uma «carta branca» à Direção, permitindo futuras alterações sem que os sócios conheçam antecipadamente o seu alcance.
Aponta ainda a VSports como uma entidade orientada para os seus próprios interesses económicos e financeiros e manifesta receio de que o Vitória SC possa perder autonomia em benefício do Aston Villa, clube que identifica como estando associado aos interesses da empresa.
«É o fim do Vitória SC como o conhecemos!», alerta, defendendo que as decisões desta natureza exigem informação detalhada e condições que permitam aos associados votar de forma livre e esclarecida.
Belmiro Pinto dos Santos sustenta, por isso, que a falta de informação na convocatória poderá comprometer a validade das deliberações tomadas na Assembleia Geral, considerando que as decisões poderão ser suscetíveis de anulação.
Antigo dirigente pede alteração da convocatória
Como alternativa, o antigo presidente da Mesa da Assembleia Geral pede à atual Mesa que reveja a convocatória da reunião extraordinária, incluindo toda a informação relevante sobre a transmissão de ações e as alterações estatutárias em causa.
Defende também que a Assembleia Geral de 30 de outubro seja destinada à apreciação e votação do relatório e das contas, remetendo a reunião extraordinária para 6 de novembro de 2026.
Na conclusão do comunicado, Belmiro Pinto dos Santos reafirma a importância da autonomia do clube e deixa uma posição clara sobre o futuro da instituição vimaranense: «A forte Identidade constitui a maior força do nosso Vitória Sport Clube, a sua Independência é inegociável e intransmissível.»
































