Carga policial na Praça D. João I, no Porto, deixa dezenas de feridos

Manifestantes denunciam uso de força desproporcionado durante a retirada de tendas do protesto pelo direito à habitação

Uma intervenção da PSP para retirar tendas da Praça D. João I, no Porto, provocou tensão e confrontos na madrugada desta quinta-feira. O protesto pelo direito à habitação decorria no local desde sábado.

Por volta das três horas, agentes da força de intervenção, munidos de escudos e cacetetes, atuaram sobre os manifestantes, que tentavam impedir a remoção das tendas e dos seus pertences. Pelo menos 37 pessoas ficaram feridas e, segundo a CNN, duas foram hospitalizadas com fraturas. Vídeos divulgados mostram agentes a agredir manifestantes com cacetetes.

Na noite de quarta-feira, centenas de pessoas tinham participado numa manifestação na praça contra a crise na habitação. A operação de retirada começou depois de os jornalistas terem deixado o local. Na véspera, o presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, tinha dito que a autarquia seria “absolutamente implacável” com tentativas de montar tendas.

José Soeiro, dirigente nacional do Bloco de Esquerda, que esteve no local, afirma que a polícia carregou “sem qualquer motivo” contra pessoas que ocupavam pacificamente o espaço público. Segundo o próprio, os manifestantes arrumaram as tendas quando a PSP o pediu, e os serviços da Câmara levaram tendas, cartazes e pertences num camião. Susana Constante Pereira, também do Bloco, afirma que a PSP tinha autorizado a permanência desde que as colunas fossem desligadas, e que a polícia regressou às 2h50, já sem jornalistas no local.

Já a PSP afirma que os manifestantes não acataram a ordem para remover as tendas.

O Movimento pela Habitação denuncia “o uso de força extrema, desproporcional e injustificada” durante a intervenção e exige um apuramento rigoroso e independente dos acontecimentos. O PS também condenou a violência usada contra os manifestantes.

Ao início da manhã, a praça estava vazia, apenas com elementos da PSP e veículos de limpeza da Câmara Municipal. O Movimento pela Habitação anunciou que voltará à praça às 19 horas: “Voltaremos. Permaneceremos”.

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