Proposta prevê um título único para autocarros e comboios nas CIM do Cávado e do Ave, gratuitidade para maiores de 65 anos e reforço da oferta de transportes públicos. PCP desafia os presidentes de Câmara do distrito a pronunciarem-se.
O PCP quer criar um passe intermodal com um custo máximo de 20 euros para viajar nos transportes públicos do distrito de Braga, incluindo autocarros e comboios, e propõe a gratuitidade para os utentes com 65 ou mais anos. A medida integra um projeto de resolução entregue na Assembleia da República, que prevê também o reforço da oferta rodoviária e ferroviária.
As propostas foram apresentadas esta terça-feira, em conferência de imprensa, por João Baptista e Nour Ribeiro, membros da Direção Regional de Braga do PCP, que defendem uma mudança na política de mobilidade na região.
O projeto de resolução, intitulado «Redução dos preços dos passes, alargamento da oferta e reforço da intermodalidade nos transportes públicos», pretende que sejam criados passes de 20 euros nas Comunidades Intermunicipais, com financiamento do Orçamento do Estado. O objetivo apontado é que, até 1 de janeiro de 2028, os passes intermodais das áreas metropolitanas e das comunidades intermunicipais não ultrapassem esse valor.
Um único passe para diferentes operadores
Na região, a concretização da proposta permitiria utilizar o mesmo título de transporte em diferentes operadores, simplificando as deslocações entre concelhos e reduzindo os custos para os passageiros.
Entre os serviços abrangidos poderiam estar a CP, os Transportes Urbanos de Braga (TUB), os Transportes Urbanos de Guimarães (TUG), os TUBA, de Barcelos, a MobiAve, em Vila Nova de Famalicão, e os operadores Ave Mobilidade e Cávado Mobilidade, entre outros.
O PCP defende que a intermodalidade tarifária deve abranger as Comunidades Intermunicipais do Cávado e do Ave, à semelhança das soluções existentes nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto.
A proposta prevê ainda a gratuitidade do passe para pessoas com 65 ou mais anos, integrada num caminho de progressiva gratuitidade dos transportes públicos.
PCP quer mais horários e novas ligações
Além da redução dos preços, o partido considera necessário aumentar a oferta de transportes, tanto dentro de cada concelho como nas ligações intermunicipais.
O projeto aponta para um reforço do financiamento público, da manutenção ferroviária e dos recursos humanos, bem como para o aumento dos horários e a criação de novos percursos nos serviços rodoviários.
A Direção Regional de Braga do PCP considera que as atuais soluções não respondem às necessidades de mobilidade de um distrito com mais de 850 mil habitantes e critica a falta de concretização da intermodalidade tarifária e as limitações da oferta existente.
Entre as propostas defendidas pelo partido para a região estão também a construção de uma ligação ferroviária direta entre Braga e Guimarães e de uma linha de concordância ferroviária entre Braga e Barcelos.
Desafio aos autarcas de Braga e Guimarães
O PCP apela à aprovação do projeto de resolução e desafia os presidentes de Câmara do distrito a assumirem publicamente uma posição sobre as medidas propostas.
A estrutura regional do partido dirige o desafio, em particular, aos autarcas de Braga e Guimarães, que têm defendido alterações ao modelo de organização intermunicipal, incluindo a transformação das Comunidades Intermunicipais numa Área Metropolitana.
Para o PCP, a criação de uma Área Metropolitana não é condição necessária para avançar com um passe intermodal e com outras medidas de melhoria dos transportes públicos. O partido defende que a prioridade deve passar pelo investimento, pela articulação entre operadores e pela redução dos custos suportados pelos passageiros.
A discussão do projeto na Assembleia da República deverá permitir conhecer as posições dos deputados eleitos pelo círculo eleitoral de Braga sobre as propostas apresentadas.































