Senador brasileiro viajou para os Estados Unidos com a família depois de afirmar que não abandonaria o país. A saída ocorreu após uma ordem judicial para entregar os passaportes e uma proibição de viajar para o estrangeiro.
Flávio Bolsonaro, candidato derrotado nas eleições presidenciais brasileiras, chegou esta quarta-feira a Miami, nos Estados Unidos, depois de deixar o Brasil e atravessar a Argentina e o Equador. A deslocação aconteceu dois dias depois de ter garantido publicamente que não pretendia abandonar o país e que entregaria os passaportes às autoridades.
A chegada do senador à Florida foi acompanhada pela divulgação de imagens da sua saída do avião privado que transportou também a mulher e as duas filhas. O episódio está a gerar polémica no Brasil, sobretudo por ter ocorrido depois de uma determinação judicial que o impedia de sair do território brasileiro. <Cite refs={[“turn694829search0″,”turn694829search2”]}/>
«Nunca pensei em sair do país»
Na segunda-feira, Flávio Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais em que afirmou que nunca tinha pensado em deixar o Brasil e prometeu entregar os documentos de viagem às autoridades.
«Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou-me defender desta aberração», declarou, considerando que a decisão judicial constituía uma tentativa de intimidação.
A viagem para os Estados Unidos acabou por acontecer no dia seguinte. Segundo a imprensa brasileira, o senador saiu do país por via terrestre em direção à Argentina, de onde embarcou num avião privado com destino ao Equador, seguindo depois para Miami. <Cite refs={[“turn694829search1″,”turn694829search2”]}/>
Passaportes cancelados após ordem judicial
A saída ocorreu depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal brasileiro, ter determinado que Flávio Bolsonaro entregasse os passaportes às autoridades no prazo de 24 horas e o ter proibido de deixar o país.
A medida está relacionada com uma investigação que envolve o senador e o advogado Willer Tomaz, por suspeitas de branqueamento de capitais e possíveis irregularidades financeiras. As suspeitas estão sob investigação e não equivalem a uma condenação.
Como os documentos não foram entregues dentro do prazo estabelecido, os passaportes brasileiro comum e diplomático foram cancelados, segundo informações divulgadas pela imprensa. <Cite refs={[“turn694829search0″,”turn694829search2”]}/>
Flávio contestou a decisão, alegando que esta se baseou numa declaração do irmão, Eduardo Bolsonaro, sobre a possibilidade de abandonar o país caso perdesse as eleições. O senador questionou ainda se a medida teria sido tomada caso tivesse vencido a disputa presidencial.
Declaração sobre ser o «verdadeiro presidente eleito»
Entretanto, surgiu a referência a Flávio Bolsonaro como o «verdadeiro presidente eleito» do Brasil. Essa expressão foi associada, em relatos da imprensa brasileira, à posição defendida por pessoas próximas do senador, num contexto de contestação dos resultados eleitorais.
A formulação deve, porém, ser distinguida dos resultados oficiais: Flávio Bolsonaro foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva, que assegurou um novo mandato presidencial. A contestação política dos resultados não altera, por si só, o resultado eleitoral.
Até ser confirmado o texto integral da carta atribuída ao senador, não é possível estabelecer com segurança se a expressão foi utilizada pelo próprio Flávio no documento ou se corresponde a uma caracterização feita por terceiros.
Oposição manifesta apoio ao senador
A saída de Flávio Bolsonaro surpreendeu alguns dos seus aliados políticos. Dirigentes do Partido Liberal e outros representantes da oposição criticaram a atuação do juiz Alexandre de Moraes e manifestaram solidariedade ao senador e à família.
Alguns apoiantes descreveram a situação como perseguição política. Essas declarações refletem a posição dos aliados de Flávio Bolsonaro e não constituem uma conclusão independente sobre a legalidade da decisão judicial.
O caso mantém-se sob acompanhamento das autoridades brasileiras, que poderão avaliar as consequências do incumprimento da ordem relativa aos passaportes e à saída do país.


































