Ministro da Administração Interna comenta intervenção de um agente da PSP à civil durante a acampada no Porto. Governante diz não ter ainda informação concreta sobre o caso e aguarda esclarecimentos das entidades competentes.

O ministro da Administração Interna, Luís Neves, afirmou este domingo que a utilização de armas por elementos das forças de segurança tem de ser devidamente justificada e formalizada, depois de ter sido questionado sobre a atuação de um agente da PSP à civil durante a intervenção policial na acampada do Porto.

“Eu ouvi falar sobre essa situação, não tenho nenhuma informação concreta, mas naturalmente está na lei que a utilização de qualquer arma tem de ser justificada e tem de ser escrita, tem de ser formalizada”, declarou o governante aos jornalistas, na Marinha Grande, no distrito de Leiria.

Luís Neves acrescentou que, nesta fase, não dispõe de mais informações, mas garantiu que as entidades competentes irão apurar os factos para esclarecer o sucedido.

PSP justifica utilização da arma como meio de dissuasão

A situação ocorreu durante a madrugada deste domingo, quando a PSP interveio nas acampadas de Lisboa e do Porto, a partir das 04h30, para desmobilizar os manifestantes e retirar as tendas. A operação terminou com 13 detenções e vários feridos, incluindo elementos policiais.

No Porto, a intervenção levou à destruição do acampamento instalado na Praça D. João I. Os manifestantes resistiram à operação, afirmando que a sua ação era pacífica, enquanto os agentes avançaram com recurso a bastões e cães, empurrando os participantes até à Rua Dr. Magalhães Lemos.

Num comunicado, a Direção Nacional da PSP referiu que se registaram “situações de resistência e agressividade contra polícias”.

A força de segurança explicou ainda que, na Avenida dos Aliados, uma equipa de quatro agentes à civil, que monitorizava as movimentações dos manifestantes, foi detetada e confrontada por um grupo que terá agredido três dos polícias.

“Perante esta situação, um dos polícias efetuou recurso passivo da arma de fogo como meio de dissuasão”, esclareceu a PSP.

O porta-voz da instituição, Sérgio Soares, confirmou que um dos agentes à paisana retirou a arma de fogo quando os manifestantes se aproximaram.

Acampada do Porto apresenta versão diferente

A organização da Acampada do Porto contestou a atuação dos quatro agentes à civil. Segundo o comunicado divulgado, cerca das 05h15, quando os manifestantes reunidos nos Aliados procuravam contabilizar feridos e detidos, foram abordados por um grupo de quatro pessoas à paisana.

A organização acusa os agentes de terem procurado isolar manifestantes que considerava vulneráveis, cercando-os e tentando sequestrá-los. Denuncia ainda intimidação com uma arma de fogo, alegadamente com uma bala na câmara e apontada à cabeça de manifestantes.

As versões apresentadas pela PSP e pela organização da acampada divergem quanto às circunstâncias da intervenção. O esclarecimento do caso deverá depender da informação recolhida pelas entidades competentes.

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