Desde 2009 já passaram pelo Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia milhares de investigadores.

Milhares de investigadores já passaram pelo INL desde a sua abertura, em 2009. Com cerca de 400 pessoas a trabalhar diariamente no edifício erguido pelos governos de Portugal e Espanha, o Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia está praticamente na sua capacidade máxima.

Numa entrevista concedida à RUM, Jorge Fiens, director de comunicação do INL explica que em 2015 eram sessenta pessoas, mas hoje “são mais de 400, de 40 nacionalidades diferentes, o número de pessoas para as quais o INL foi dimensionado em termos arquitectónicos”. 

Há investigadores que estão há mais de dez anos do INL, outros estão dois ou três anos, fruto da investigação que desenvolvem. Depois disso, tornam-se “embaixadores do INL onde quer que estejam”. “Apraz-nos perceber que muitos deles ficam extremamente agradados com as condições que encontram no INL, e acima de tudo com a disponibilidade”, revela. Elogios que chegam de investigadores de centros como o MIT, nos EUA, que referem que no INL têm mais condições, nomeadamente no que respeita à utilização de um microscópio electrónico. “Aqui ainda há disponibilidade para utilizar equipamentos de ponta que são essenciais no desenvolvimento do trabalho, enquanto no MIT têm que marcar vez e esperar até dois meses”, conta.

Pelo edifício em Braga circulam maioritariamente trabalhadores de Portugal e Espanha, mas há investigadores do Bangladesh aos EUA, assim como muitos cientistas da Índia ou da China.

O INL é um dos três laboratórios com estatuto internacional que existem no Mundo. Com dez anos de trabalho no terreno, Jorge Fiens afirma que o Laboratório está cada vez mais preparado para a sua ligação ao exterior.

DA ALIMENTAÇÃO À SAÚDE, PASSANDO PELOS SENSORES, EXISTEM 25 GRUPOS DE TRABALHO DE INVESTIGAÇÃO NO INL EM 2020

São variadas as investigações em curso nesta altura no INL, em Braga. Da alimentação à saúde, passando por sensores, os cientistas exploram de tudo um pouco no Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia.

O grafeno, por exemplo, está a ser usado para aumentar a sensibilidade de sensores capazes de detectar o ADN de pessoas ou espécies vegetais. “Conseguimos utilizar estes sensores, não só para detectar quem é a família de uma pessoa, mas também para perceber se um vinho do Porto é mesmo vinho do Porto”, exemplifica.

Entre os trabalhos de investigação existe uma área que “cria alimentos funcionais, mais facilmente absorvidos pelo organismo e dirigidos a idosos, diabéticos e pessoas com demências”. Um outro grupo, por exemplo, cria dispositivos de diagnóstico capazes de capturar e identificar células tumorais circulantes. Ainda na saúde, há uma equipa de trabalho que desenvolve novas formas de terapia contra o cancro, “mais dirigidas, mais eficazes e com menos efeitos secundários”.

INL está a desenvolver tecnologia que permitirá dar sensibilidade ao robot Sophia

O INL está também a trabalhar com a empresa que criou o robot Sophia, a Hanson Robotic. Aqui, segundo Jorge Fiens, a criação de sensores de microfluídica podem ser utilizados para fins diferentes. No caso, o grupo de trabalho do INL está a trabalhar para “conseguir dar sensibilidade à pele da Sophia”, revela.

Melhorar a qualidade da água é apenas mais uma das missões de outra equipa do INL. “Através de sensores somos capazes de identificar e captar pesticidas, toxinas e poluentes farmacêuticos. Não é para assustar ninguém, mas quando bebemos um copo de água há uma enorme probabilidade dessa água ter doses residuais de medicamentos e até hoje os métodos de filtragem que existem não são capazes de reter essas moléculas. Vamos desenvolvendo resistência a medicamentos e muitas vezes não sabemos porquê”, especifica.

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