Representantes dos trabalhadores das empresas públicas de transportes entregaram hoje uma carta aos ministérios do Ambiente e das Infraestruturas reivindicando o aumento dos salários, a valorização das carreiras e uma negociação coletiva.

A falta de negociação e a “imposição das posições emanadas pelas tutelas, num quadro em que as administrações das empresas ficam sem qualquer autonomia” de procurarem soluções a partir da realidade de cada empresa, são denunciados no documento assinado pelas organizações sindicais STRUP, SNTSF, STFCMM, SIMAMEVIP, afetas à Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (FECTRANS), e pelo SINDEM, SITESE, SITEMAQ, STMETRO, SENSIQ, STTM e SITRA.

“Em função deste posicionamento das tutelas, esvazia-se a dinâmica da negociação coletiva, o que se traduz no aumento dos conflitos e na desvalorização do trabalho e dos trabalhadores”, acusam, denunciando ainda que, “ao longo dos últimos anos, o valor do salário real tem descido e as carreiras profissionais ficaram bloqueadas, desmotivando os trabalhadores e dificultando contratações”.

Os sindicatos alertam ainda os dois ministérios para o facto de, este ano, os valores propostos nas empresas que tutelam ser “10 vezes inferior” à inflação, desvalorizando assim os salários.

As organizações sindicais subscritoras da carta reivindicam, assim, uma negociação coletiva “com conteúdos e que conduza à resolução dos conflitos” laborais e à valorização do trabalho e dos trabalhadores, e um aumento “real” dos salários que reponha o poder de compra perdido e ainda uma valorização das carreiras profissionais.

Os sindicatos pedem ainda uma “melhoria do serviço público prestado”, a concretizar através de investimentos e de meios técnicos e humanos.