Oposição levanta questões sobre ampliação de hospital e uso de área protegida para construção de estacionamento
A Câmara de Braga adiou a votação sobre o reconhecimento do interesse público para o Hospital Privado de Braga, do Grupo Trofa Saúde, que pretende desafetar uma área de 12 mil metros quadrados da Reserva Ecológica Nacional (REN) para construir um parque de estacionamento, face às dúvidas levantadas pela oposição.
Na reunião da Câmara de Braga, a votação sobre o reconhecimento do interesse público municipal para o Hospital Privado de Braga, que possibilitaria a ampliação do hospital e a construção de um parque de estacionamento em área da Reserva Ecológica Nacional (REN), foi adiada. A decisão foi tomada após questionamentos da oposição, que apontou incoerências no processo.
O Grupo Trofa Saúde, responsável pelo hospital, solicitou a desafetação de 11.916 metros quadrados de área protegida para a construção de um parque de estacionamento à superfície. O pedido de reconhecimento de interesse público é uma etapa necessária para que a utilização da área em REN seja aprovada.
Adolfo Macedo, vereador do PS, destacou uma contradição no processo, lembrando que, em setembro, o Pedido de Informação Prévia (PIP) aprovado não previa a utilização da área da REN, mas a construção de três pisos subterrâneos para estacionamento. “Agora, de um mês para o outro, já querem que seja declarado o interesse público para um parque de estacionamento à superfície?”, questionou.
Nuno Reininho, da CDU, também expressou preocupações, argumentando que a desafetação de áreas de proteção ambiental como a REN deve ser uma medida extrema e justificada por razões extraordinárias. “A preocupação deve ser com o ambiente, mais do que com os interesses dos promotores”, disse.
O vereador do Planeamento e Ordenamento, João Rodrigues, admitiu compreender as dúvidas da oposição e reconheceu não ter uma “resposta cabal” para as discrepâncias entre as propostas. No entanto, frisou que a câmara está apenas a avaliar o interesse público da atividade do hospital, já que a decisão sobre a desafetação da REN não compete ao município.
Ricardo Rio, presidente da Câmara, reconheceu que parece haver uma contradição entre as propostas iniciais e as atuais e sublinhou a necessidade de revisitar todo o processo antes de avançar. “Depois, teremos de avaliar se esta é a única e a melhor solução, ou não, que existe para este efeito”, afirmou.
O hospital, situado na freguesia de Nogueira, pretende ampliar suas instalações e construir um parque de estacionamento na margem de uma linha de água e em leito de cheias, áreas integradas na REN. A proposta inclui soluções para manter a permeabilidade do solo, com áreas de estacionamento em grelhas de enrelvamento e vias em betuminoso tipo “terraway”. Além disso, a ampliação prevê a criação de 50 novos postos de trabalho, que se somarão aos 221 já existentes.
































