Mais de 82% dos pacientes com suspeita de cancro ultrapassam o tempo máximo de resposta, revela relatório da Entidade Reguladora da Saúde

Um relatório recente da Entidade Reguladora da Saúde (ERS) revelou que, no final do primeiro semestre deste ano, 82,7% dos pacientes com suspeita ou confirmação de doença oncológica ultrapassaram o Tempo Máximo de Resposta Garantido (TMRG) para uma primeira consulta no Serviço Nacional de Saúde (SNS). Ao todo, mais de 7.300 pessoas aguardavam por uma avaliação médica inicial, evidenciando uma situação crítica no sistema de saúde pública.

No período analisado, foram realizadas 18.078 primeiras consultas oncológicas, um dado que ainda não permite traçar uma evolução exata devido a atrasos na implementação do Registo de Saúde Eletrónico no Sistema Integrado de Gestão do Acesso (RSE-SIGA) em várias unidades hospitalares.

A ERS reporta também uma situação preocupante em outras especialidades. A 30 de junho, havia 775.930 utentes em lista de espera para a primeira consulta de especialidade, com 54,5% a ultrapassar o TMRG. Durante o semestre, os hospitais públicos realizaram 664.308 consultas de especialidade — uma diminuição de 0,6% em relação ao mesmo período de 2023. Nestas, 51,6% ultrapassaram o TMRG, um aumento de dois pontos percentuais face ao ano anterior.

Situação da Cardiologia e Prestações Protocoladas

As consultas de cardiologia sofreram uma redução significativa de 38,7% em relação ao primeiro semestre de 2023, com 85,5% das consultas realizadas fora do tempo regulamentado. A lista de espera nesta especialidade também diminuiu para 10.222 utentes, mas 91,7% ainda aguardam resposta além do tempo limite.

Nos prestadores protocolados, as 43.223 consultas de especialidade realizadas representaram uma diminuição de 9,2%. Neste segmento, 27,1% das consultas ultrapassaram o TMRG, um aumento de 4 pontos percentuais face ao primeiro semestre de 2023.

Estes dados revelam desafios significativos para o SNS em áreas críticas como oncologia e cardiologia, e a ERS aponta para a necessidade de otimizar os tempos de resposta e expandir a capacidade de atendimento em todas as especialidades.