Comunistas acusam Governo de privatizar cuidados de saúde primários

O Partido Comunista Português (PCP) considera a decisão do Governo de avançar com uma nova Parceria Público-Privada (PPP) no Hospital de Braga um “grave passo na destruição do Serviço Nacional de Saúde (SNS)”.

Em comunicado enviado às redações, após uma visita à Unidade Local de Saúde (ULS) de Braga, a Direção da Organização Regional de Braga do PCP classificou esta medida como “inaceitável”, alertando para as consequências negativas para utentes e profissionais de saúde.

Críticas à privatização da gestão hospitalar

Os comunistas defendem que esta decisão, integrada no Plano de Emergência e Transformação da Saúde, pode levar à privatização dos cuidados primários para cerca de 2,5 milhões de pessoas, cerca de um quarto da população portuguesa.

“Aproveitando a estrutura criada pelo anterior Governo do PS, o Governo PSD/CDS lançou o processo de privatização da gestão, não só de cinco hospitais do SNS, mas também das unidades de cuidados primários de saúde anexadas a estas unidades no início de 2024”, refere o PCP.

A delegação do PCP que visitou a ULS Braga incluiu o deputado Alfredo Maia, o candidato da CDU à Câmara de Braga, João Baptista, e a membro da Assembleia Municipal de Braga, Sandra Cardoso.

Recordações do passado e críticas ao Município

O PCP recorda que durante dez anos de gestão privada do Hospital de Braga, ocorreram problemas como recusa de medicamentos a utentes, transferência indevida de doentes, cortes em especialidades médicas e o encerramento da urgência pediátrica durante a noite.

“O Município de Braga nunca emitiu um comunicado, nunca ouvimos a voz preocupada do presidente Ricardo Rio sobre esses problemas, o que revela a hipocrisia da posição que hoje diz defender”, critica o partido.

O PCP considera que o fim da anterior PPP no Hospital de Braga foi uma decisão essencial para reforçar o SNS, destacando o papel “fundamental” da sua intervenção política nesse processo.