Viveu 14 anos na cidade dos arcebispos, onde construiu amizades, viveu a arte e a boémia. Hoje está de volta a Maputo, de boa saúde e com saudades de Braga.

O pintor moçambicano Elias Mathonse, que viveu 14 anos em Braga, continua vivo, de boa saúde e a dedicar-se à pintura. Para muitos bracarenses, a sua ausência tornou-se um mistério, alimentado por rumores infundados sobre o seu estado de saúde. A verdade é que Elias mantém viva a ligação à cidade onde se naturalizou bracarense e onde deixou obras espalhadas por casas, escritórios e restaurantes.

De Magude para Braga

Elias chegou a Braga no final dos anos 80, vindo de Magude, no sul de Moçambique, com o objetivo de estudar Engenharia Civil na Universidade do Minho, ao abrigo de uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian. Como muitos estudantes dos PALOP, encontrou dificuldades académicas, sobretudo nas áreas científicas, que levaram à perda da bolsa e à necessidade de se reinventar para sobreviver.

Com a ajuda de amigos e graças ao seu talento artístico, começou a vender quadros, sempre inspirados na sua terra natal, e tornou-se figura conhecida entre estudantes, professores e boémios da cidade.

Arte, amizades e boémia

Os anos 90 foram tempos de intensa convivência, com exposições em Braga e até nos Estados Unidos. Elias era presença habitual nas noites bracarenses, acumulando amizades, aventuras e histórias, muitas das quais fazem parte da memória coletiva da cidade.

Com o tempo, no entanto, as dificuldades financeiras acumularam-se e Elias viu-se obrigado a deixar Braga. De regresso a Maputo, passou por um período conturbado, mas reergueu-se, retomando a pintura e o convívio com a família e amigos.

Um regresso que tarda

Hoje, Elias Mathonse está ativo, saudável e a pintar. Uma eventual exposição em Braga Capital da Cultura poderia ser o pretexto ideal para um reencontro com a cidade que tanto ama. Seria uma oportunidade para reconhecer o contributo cultural de um artista dos PALOP que deixou marca indelével na cidade e que nunca esqueceu o carinho dos bracarenses.