Marcelo sai de Belém “a pé” e deseja que António José Seguro seja “o melhor de todos os presidentes”

Presidente cessante despede-se do cargo sem intervenção política futura

O Presidente da República cessante, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou que pretende sair do cargo da mesma forma como entrou: a pé. O chefe de Estado deseja também que o seu sucessor, António José Seguro, consiga tornar-se “o melhor de todos os presidentes da República”.

Marcelo falava numa conversa informal com jornalistas na residência oficial de São Bento, em Lisboa, ao lado do primeiro-ministro Luís Montenegro, após presidir a uma reunião do Conselho de Ministros, quatro dias antes de terminar o mandato.

“Desejo ao senhor Presidente António José Seguro as maiores felicidades. Que seja muito feliz. E, se for possível, que consiga ser o melhor de todos os presidentes da República”, afirmou.

O ainda Presidente destacou também o apoio eleitoral alcançado por Seguro na segunda volta das eleições presidenciais, considerando que esse resultado cria grandes expectativas entre os portugueses.

“Tem um apoio tal e tem uma esperança tal das pessoas atrás dele que isso implica que seja obrigação de todos os cidadãos desejarmos isso mesmo”, disse.

Marcelo manifestou igualmente o desejo de que exista um bom relacionamento institucional entre o novo Presidente e o Governo, num momento que classificou como particularmente exigente para o país, para a Europa e para o mundo.

Questionado sobre como acredita que será recordado pelos portugueses, respondeu que “não tem a mínima ideia”, mas recordou que, quando assumiu o cargo em 2016, ponderou se deveria mudar a sua forma de estar na política — algo que acabou por rejeitar.

“Não vou mudar, porque depois não fica nem carne nem peixe. Nem fica aquilo que a pessoa é, nem aquilo que quer ser para vestir um fato institucional que não é a sua maneira de ser”, explicou.

O Presidente cessante recordou também que chegou a pé à Assembleia da República no dia da tomada de posse, em 09 de março de 2016, e pretende repetir o gesto na próxima segunda-feira, dia em que António José Seguro toma posse como novo chefe de Estado.

“Apesar de, teoricamente, o ex-Presidente da República ter direito a automóvel, eu quero sair a pé”, afirmou.

Quanto ao futuro, Marcelo garantiu que não terá qualquer intervenção política, defendendo que quem ocupa cargos públicos deve saber “sair de cena”.

“Aprendi quantas vezes eu não agradeceria não ter ex-presidentes da República a intervir na vida política”, referiu, acrescentando que quer evitar interferir no trabalho do novo Presidente, do Governo ou da Assembleia da República.