Os episódios de violência contra profissionais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) continuaram a aumentar em 2025, totalizando 3.429 casos registados, mais 848 do que no ano anterior, segundo dados divulgados pela Direção-Geral da Saúde (DGS) no âmbito do Plano de Ação para a Prevenção da Violência no Setor da Saúde.
A agressão psicológica mantém-se como a forma mais frequente de violência, representando mais de metade das ocorrências. No último ano foram contabilizados 2.067 casos deste tipo, acima dos 1.703 registados em 2024, evidenciando uma tendência persistente de pressão emocional, ameaças e comportamentos intimidatórios sobre profissionais de saúde.
Também a violência física registou um aumento significativo, passando de 578 casos em 2024 para 730 em 2025. Em paralelo, os episódios de assédio moral cresceram de forma expressiva, totalizando 318 situações, mais 147 do que no ano anterior.
Os dados revelam ainda um aumento de outras formas de violência ou ocorrências não especificadas, que subiram para 314 casos, face aos 129 registados em 2024, confirmando uma tendência transversal de agravamento do fenómeno.
O impacto destes episódios reflete-se também na capacidade de resposta do sistema, tendo sido contabilizados 2.012 dias de ausência ao trabalho por parte dos profissionais afetados, um aumento relevante face aos 1.185 dias registados no ano anterior.
O acompanhamento destas ocorrências é assegurado por grupos multidisciplinares existentes em 39 Unidades Locais de Saúde, três Institutos Portugueses de Oncologia, no Hospital de Cascais e no Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências, responsáveis pela análise, seguimento e reporte anual das situações.
Em 2025, foram ainda reforçadas as ações de formação e prevenção, com 596 sessões realizadas e a participação de 12.752 profissionais, envolvendo entidades como a DGS, Direção Executiva do SNS, PSP, GNR e outras instituições do setor.
A DGS sublinha que o combate à violência no SNS é uma prioridade, reforçando medidas de prevenção e proteção dos profissionais de saúde, bem como a resposta institucional às ocorrências. Recorda ainda que, desde 2024, está em vigor legislação que agrava o enquadramento penal das agressões contra profissionais de saúde, passando a maioria destes crimes a ser considerada crime público, permitindo a abertura de investigação mesmo sem queixa formal da vítima.
































