O Estádio do Dragão transformou-se esta quarta-feira num espaço de luto coletivo, numa das mais comoventes homenagens já prestadas a uma figura do FC Porto. Milhares de adeptos e antigos companheiros de equipa acorreram ao recinto para se despedirem de Jorge Costa, capitão eterno dos ‘dragões’, falecido aos 53 anos.

O corpo do antigo internacional português encontra-se em câmara ardente junto ao túnel de entrada para o relvado, o mesmo que tantas vezes atravessou envergando a braçadeira de capitão, símbolo de uma liderança inconfundível.

Desde as primeiras horas da tarde, e muito antes da abertura oficial das portas, a multidão começou a formar-se em longas filas silenciosas, num ambiente de recolhimento e dor profunda. Cachecóis, camisolas antigas, flores e mensagens foram deixados como testemunho da ligação emocional entre Jorge Costa e o universo portista.

“Foi o nosso capitão, foi um símbolo. Estamos todos de luto”, dizia António Ferreira, 68 anos, vindo de Valongo. “Vi o Jorge crescer no Porto. Era daqueles que não se rendia. Tinha alma.”

Famílias inteiras, crianças de cachecol ao pescoço, e até adeptos de clubes rivais juntaram-se para prestar homenagem a quem sempre representou o futebol com entrega e dignidade. Maria João, de 41 anos, trouxe a filha de 10. “Queria que ela soubesse quem ele foi. O Jorge Costa era porto de abrigo em campo”, disse, emocionada.

Também marcaram presença figuras do futebol nacional. Hélder Barbosa, que privou com Jorge Costa nos seus primeiros anos no FC Porto, deixou palavras sentidas:

“Era um líder nato. Impunha respeito com o olhar. Era também um apoio constante para os mais novos. Foi um privilégio.”

A fila serpenteava por centenas de metros ao redor do estádio, entre o silêncio e aplausos espontâneos que ecoavam como o último “obrigado” a um dos maiores da história do clube. O FC Porto reforçou os meios de apoio e segurança para permitir a todos o acesso à câmara ardente, num gesto que simboliza a grandeza da figura de Jorge Costa.

As cerimónias fúnebres continuam esta quinta-feira, com missa de corpo presente na Igreja do Cristo Rei, seguida de cortejo para o cemitério de Agramonte, no Porto.

Jorge Costa foi mais do que um jogador. Foi um símbolo, um capitão de corpo inteiro, cuja voz e presença marcaram várias gerações. Representou o FC Porto em 383 jogos, conquistando uma Liga dos Campeões, uma Taça UEFA, uma Intercontinental, oito campeonatos nacionais, cinco Taças de Portugal e cinco Supertaças.

Pela seleção nacional, somou 50 internacionalizações, depois de ter vencido o Mundial de Sub-20 em 1991.

Faleceu esta quarta-feira, após se sentir mal no centro de treinos do FC Porto, no Olival. Ainda foi transportado com urgência para o Hospital de São João, mas não resistiu a uma paragem cardiorrespiratória.