SC Braga resiste e soma ponto frente ao Benfica na Pedreira

Guerreiros do Minho estiveram em vantagem e mostraram personalidade diante dos encarnados.

O SC Braga empatou este domingo a 2-2 frente ao SL Benfica, no Estádio Municipal de Braga, em encontro da 16.ª jornada da I Liga, num jogo marcado pela atitude competitiva da formação minhota.

A equipa orientada por Carlos Carvalhal entrou determinada, assumindo maior iniciativa e controlo da posse de bola nos minutos iniciais. Apesar disso, foram os visitantes a marcar primeiro, aos 29 minutos, por intermédio de Otamendi. A resposta bracarense surgiu ainda antes do intervalo, com Rodrigo Zalazar a converter com sucesso uma grande penalidade.

O momento alto da primeira parte aconteceu já em período de compensação, quando Pau Víctor protagonizou uma jogada individual de grande qualidade dentro da área, culminando na reviravolta do marcador e levando a Pedreira ao rubro.

Na segunda parte, o SC Braga manteve-se organizado e competitivo, mas acabou por sofrer o empate num lance de contra-ataque concluído por Aursnes. Até final, os Guerreiros lutaram pelos três pontos, embora tenham terminado o encontro reduzidos a dez jogadores, após a expulsão de Ricardo Horta, já nos minutos finais.

Com este resultado, o SC Braga passa a somar 26 pontos e mantém-se na quinta posição da tabela classificativa, continuando firme na luta pelos lugares cimeiros do campeonato.

Carlos Vicens, treinador do SC Braga, na conferência de imprensa após o empate frente ao Benfica para a 16.ª jornada da Liga:

Análise ao jogo

«Entrámos no jogo com muito boa dinâmica, controlámos muito bem a primeira parte e criámos o suficiente para irmos com um resultado melhor para o intervalo. Na segunda parte, custou-nos muito guardar a bola. Devíamos ter sido um pouco mais fluidos no nosso jogo, talvez também no posicionamento, e tivemos alguma falta de frescura, mas jogámos com uma equipa que tinha de dar uma resposta na segunda parte e dificultou a nossa saída. Ainda assim, tivemos algumas aproximações perigosas, como a do Rodrigo (Zalazar), que não conseguimos finalizar. Ficámos com um ponto, que não nos satisfaz, mas temos de aceitá-lo. Temos um jogo fundamental na próxima semana, com o Estrela da Amadora, e é nele que temos de centrar as nossas energias.»

Diferenças da primeira para a segunda parte

«Falámos ao intervalo que tínhamos de continuar a ter muita personalidade, a ter a bola e movimentar-nos muito para gerar linhas de passe que nos permitissem avançar no campo. Custou-nos mais, batemos mais (a bola para a frente) do que queríamos e depois sofremos numa segunda bola que criaram. Custou-nos muito ficar com as segundas bolas que surgiam a meio-campo. Ainda assim, o esforço, a competitividade, o lutar no jogo, estarmos juntos e sermos capazes de competir estiveram sempre presentes. E por isso, também, mesmo não tendo um jogo tão bom na segunda parte, conseguimos gerar um par de oportunidades em que estivemos perto de concretizar.»

Atuação da equipa de arbitragem

«O meu foco tem de estar no jogo, não vou opinar sobre os árbitros. Nem tenho de opinar sobre o que disse José Mourinho.»

Abordagem do SC Braga surpreendeu o Benfica?

«Há aspetos a melhorar, um pouco em todos os momentos do jogo. Parte do que sofremos sem bola acontece porque, quando a temos, a perdemos demasiado cedo e isso obriga-nos a correr atrás dela. Não podemos dissociar esses dois momentos do jogo. Quanto a surpreender (o Benfica), penso que o Sp. Braga, em todos os jogos, tenta impor-se e jogar. Hoje não foi diferente.»

Mobilidade do ataque o SC Braga

«É importante, para nós, que os jogadores se possam encontrar entre eles (em campo), que saibam que a partir de uma organização que é comum na forma como temos jogado nos últimos meses nunca deixem de oferecer linhas de passes úteis para a nossa saída de bola. As equipas estudam-nos e tentam organizar-se para dificultar a nossa saída (para o ataque), e é aí que temos de ser capazes de oferecer esse tipo de dinamismo. Na segunda parte também nos faltou esse dinamismo, também pela falta de frescura, o que é normal. Tivemos de buscar a profundidade mais do que desejávamos. E também por não ganharmos muitas das segundas bolas, isso fez com que os ataques de continuidade fossem mais do Benfica do que do Sp. Braga.»

Motivo pelas substituições tardias na equipa

«Estávamos a estudar possibilidades e é verdade que a frescura que fomos perdendo em algumas posições podemos recuperar desde o banco, mas os jogadores que nos pareciam ter menos frescura acabavam por ter ações que nos permitiam aproximar-nos da área rival. Demorei um pouco mais a fazer substituições, são decisões que vamos tomando pelas sensações que vamos tendo no jogo.»

José Mourinho, treinador do Benfica, recorreu à ironia para comentar o empate do Benfica em Braga, para a Liga. O técnico insiste na ideia de que as águias marcaram três golos e venceram a partida, apesar do golo de Dahl ter sido anulado, e não se alonga na análise ao adversário por voltar a defrontar os arsenalistas daqui a poucos dias para a meia-final da Taça da Liga:

Análise ao jogo

«Parabéns à equipa (do Sp. Braga), porque é boa, ao treinador, que está a construir uma boa equipa, e até aos adeptos, que criam um grande ambiente no estádio. Quanto ao jogo, é uma grande vitória nossa. O Sp. Braga foi melhor do que nós na primeira parte, ok, foram dois erros individuais nossos, que fazem parte do jogo. O Sp. Braga apanha-se na frente, é uma equipa que é muito forte a gerir a posse da bola, mas na segunda parte fomos fortíssimos. Dominámos completamente o jogo e fizemos dois golos. Ganhar o jogo em Braga é extremamente difícil, a perder ao intervalo ainda mais. Os jogadores estão de parabéns pela fantástica segunda parte que fizeram e por uma grande vitória.»

Consequências do empate na corrida pelo título

«Ganhámos 3-2. (…) É o futebol que temos. Limito-me a fazer o melhor que posso o meu trabalho. Não estou inteiramente contente comigo porque não consegui, durante 90 minutos, o jogo que esperava conseguir, mas é uma grande segunda parte e ganhámos 3-2. Sabem que estou a falar com ironia. Se não fizesse com ironia, iria ser fortemente penalizado. Eventualmente, o clube pode querer fazer algo, ou não. Pode começar a seguir a linha de já estarmos habituados e acomodamo-nos à situação.»

«O facto de jogarmos novamente com o Sp. Braga dentro de pouco tempo faz com que não queira entrar em grandes detalhes do ponto de vista tático, guardarei a análise para mim e para os jogadores. Bom jogo, bom adversário e bom árbitro. Fez um jogo bastante positivo, só que os jogos e os pontos decidem-se muitas vezes neste tipo de decisões. Foi o que foi.»

Influência da atuação do árbitro no resultado

«Obviamente. Marcámos três golos limpos, 3-2. Mas repito, gostei da arbitragem. Um ou outro cartão amarelo um bocadinho esquisito, uma ou outra bola com a jogada interrompida a eliminar a vantagem para o ataque, mas admito que é um jogo difícil de apitar. Honestamente, gostei da arbitragem. Na hora de cometer o erro que decidiu o jogo, foi acompanhado pelo senhor que estava no VAR. Depois acontecem estas coisas estranhas, de clubes que ganham muitos jogos com erros, e outros que perdem muitos pontos com erros também. Como temos uma viagem longa pela frente, quero sair com a alegria e a convicção, ainda que me chamem maluco, de que virámos o jogo e ganhámos.»