Vitória SC derruba SC Braga numa final épica e conquista a primeira Taça da Liga

Drama, intensidade e emoção até ao último segundo. O primeiro dérbi minhoto da história numa final de uma competição cumpriu — e superou — todas as expectativas.

No Estádio Dr. Magalhães Pessoa, em Leiria, o Vitória SC venceu o SC Braga por 2-1, deu a volta ao marcador e conquistou, pela primeira vez, a Taça da Liga.

Tal como já havia feito na final frente ao Sporting, a formação orientada por Luís Pinto mostrou caráter e resiliência, recuperando de uma desvantagem inicial graças aos golos de Samu Silva e Alioune Ndoye. O triunfo acabou selado já depois dos 90 minutos, com uma grande penalidade desperdiçada por Rodrigo Zalazar, travada por uma defesa decisiva de Charles Silva.

Um dérbi intenso desde o primeiro minuto

O encontro começou a um ritmo elevado, com ambas as equipas a procurarem o golo desde cedo. Nélson Oliveira testou Lukas Hornicek com um remate de longe, enquanto Ricardo Horta obrigou Charles Silva a uma intervenção segura na resposta arsenalista.

O primeiro golo surgiu na sequência de um pontapé-livre à entrada da área. João Mendes cometeu falta sobre Rodrigo Zalazar e, na cobrança, Mario Dorgeles assinou um remate de grande qualidade, inaugurando o marcador para o SC Braga.

O Vitória SC sentiu o impacto, mas reagiu. Aos 33 minutos, João Mendes tentou redimir-se com um remate potente que passou muito perto da barra, seguindo-se um cabeceamento perigoso de Miguel Nóbrega. Em cima do intervalo, Tony Strata evitou o 0-2 ao intercetar, de cabeça, uma finalização de Dorgeles.

Samu Silva mudou o rumo do jogo

O SC Braga entrou determinado na segunda parte e esteve perto de ampliar a vantagem logo aos 48 minutos, quando João Moutinho rematou de primeira para uma grande defesa de Charles Silva.

A resposta vimaranense chegou aos 59 minutos. Após indicação do VAR, Hélder Malheiro assinalou grande penalidade por mão de Vítor Carvalho. Samu Silva, acabado de entrar, converteu com frieza e restabeleceu a igualdade.

O jogo abriu-se por completo. Nélson Oliveira acertou na barra, aos 71 minutos, e Hornicek negou o golo a Alioune Ndoye com uma defesa de elevado grau de dificuldade. No entanto, aos 82 minutos, o avançado senegalês voltou a mostrar o seu faro de golo, desviando de cabeça um canto cobrado por Samu Silva e consumando a reviravolta.

Charles Silva decide nos descontos

Já em tempo de compensação, João Mendes foi expulso após agressão a Victor Gómez, e o SC Braga teve a oportunidade de levar o jogo para prolongamento. Contudo, na marca dos 11 metros, Rodrigo Zalazar permitiu uma defesa monumental de Charles Silva, que se tornou no herói da noite e selou uma final memorável.

Momento do jogo

A defesa da grande penalidade por Charles Silva, já dez minutos depois dos 90, que garantiu a vitória e a inédita conquista da Taça da Liga para o Vitória SC.

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Carlos Vicens, treinador do Sp. Braga, em declarações na conferência de imprensa após a derrota por 2-1 frente ao V. Guimarães, na final da Taça da Liga:

Carlos Vicens: “As finais decidem-se nos detalhes”

O treinador do SC Braga, Carlos Vicens, assumiu a frustração pela derrota por 2-1 frente ao Vitória SC na final da Taça da Liga, sublinhando a eficácia nas áreas como fator decisivo para o desfecho do encontro.

Questionado sobre o que falhou depois de uma boa entrada em jogo, o técnico foi direto. “Conceder os golos e marcar apenas um. O futebol define-se nas áreas e aí, por pouco, o Vitória foi mais certeiro”, afirmou, lembrando que o segundo golo sofrido teve um impacto determinante no rumo da partida.

Vicens recordou ainda as oportunidades desperdiçadas para voltar a empatar. “Tivemos duas ocasiões muito claras: uma com Fran Navarro e outra no penálti do Zalazar. Quando acontecem tantas coisas contra é porque não tinha que ser para nós”, referiu, apontando já ao futuro. “Continuaremos a trabalhar, porque faltam muitos meses e temos ainda três competições.”

Sobre a entrada de Alioune Ndoye, que acabou por marcar o golo da vitória vimaranense, o treinador destacou a importância dos detalhes. “O golo surge de um canto, por isso temos de defender melhor essas situações. Podemos passar a noite inteira a falar de aspetos táticos, mas as sinergias, os momentos e os pormenores decidem as finais.”

Apesar da desilusão, Carlos Vicens deixou uma mensagem de união e foco no que se segue. “Queríamos ganhar pelos adeptos, mas os jogadores têm de se levantar. Isto não pára. Temos de curar as feridas e ir a Fafe vencer na próxima eliminatória da Taça de Portugal”, concluiu.

Luís Pinto, treinador do V. Guimarães, em declarações na conferência de imprensa após o triunfo sobre o Sp. Braga, por 2-1, na final da Taça da Liga:

Luís Pinto: «Esta Taça da Liga foi mais do que um título, foi contra o eterno rival»

O treinador do Vitória SC, Luís Pinto, assumiu um sentimento de «dever cumprido» após a vitória por 2-1 frente ao SC Braga, na final da Taça da Liga, sublinhando o peso especial de conquistar o troféu diante do eterno rival minhoto.

Na conferência de imprensa realizada no Estádio Dr. Magalhães Pessoa, em Leiria, o técnico fez um balanço do percurso da equipa ao longo da temporada e destacou a união como fator determinante para o sucesso.

«Reflete muito daquilo que tem sido a nossa época desde o início. Só com uma união muito forte poderíamos ter sucesso. Esse tem sido o nosso ADN. Mesmo nos momentos em que estávamos por baixo no jogo, nunca deixámos de acreditar. Houve discernimento para perceber que não era o fim do mundo e isso obrigou-nos a unir, a correr e a lutar», afirmou.

Luís Pinto destacou ainda o projeto desportivo do clube, assente na juventude e na coragem. «É um projeto corajoso, que aposta em gente jovem, desde a equipa técnica aos jogadores. No futebol não se ganha sempre da mesma forma, mas quando se aposta em jogadores jovens é fundamental estarmos juntos», frisou.

Um triunfo com sabor especial

Questionado sobre o significado de vencer o SC Braga numa final, o treinador foi claro. «Tem um sabor muito grande, pelo respeito que temos em representar o Vitória. É mais do que um título. Apesar de ser apenas o terceiro troféu da história do clube, foi conquistado frente ao eterno rival, o que lhe dá um peso diferente», afirmou. «O sentimento é de felicidade e de dever cumprido. Conseguimos deixar felizes muitas pessoas que nem sequer conhecemos.»

Um jogo exigente do início ao fim

Luís Pinto não escondeu as dificuldades sentidas frente ao SC Braga, descrevendo o encontro como um «jogo do gato e do rato».

«É sempre muito difícil jogar contra o Braga. Está no ADN deles ter bola e houve momentos em que olhávamos para a linha defensiva e só havia um jogador do Braga. Não jogamos sozinhos e é preciso dar mérito ao adversário», reconheceu.

O treinador explicou ainda os ajustes feitos na segunda parte. «A partir de certo momento quisemos saltar a todas as bolas e o Braga acelerava diretamente para a nossa linha defensiva. A entrada do Samu deu-nos a possibilidade de baixar o Gonçalo. Defensivamente, ele tem uma abrangência de espaços maior, enquanto o Samu tem uma inteligência enorme e consegue jogar muito bem entre linhas», concluiu.

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