XIX edição, dedicada ao tema “Deficiência e Superação”, registou um balanço amplamente positivo e reforçou a forte dimensão humanista do projeto
A XIX edição do Presépio ao Vivo de Priscos, realizada na freguesia de Priscos, no concelho de Braga, encerrou com um balanço considerado “amplamente positivo”, afirmando-se, uma vez mais, como um dos mais relevantes acontecimentos natalícios em Portugal.
Sob o tema “Deficiência e Superação”, esta edição destacou-se pela forte componente humanista, solidária e de consciencialização social, ligando a mensagem do Natal aos desafios concretos vividos por muitas pessoas e famílias. O Presépio assumiu-se como um espaço de inclusão e esperança, dando visibilidade às dificuldades enfrentadas por pessoas com deficiência, nomeadamente a escassez de recursos, a falta de lares, de apoios terapêuticos adequados e de reais oportunidades de inclusão social e profissional.
Mais do que uma denúncia, a organização sublinha que o Presépio de Priscos procurou ser “um apelo à consciência coletiva”, apontando caminhos possíveis de integração, dignidade e superação. Nesse contexto, destacou-se a participação do Centro de Paralisia Cerebral de Beja, com a exposição “Do Silêncio à Visibilidade”, um projeto desenvolvido no âmbito da Formação Profissional em 2024, que apresentou histórias reais de integração profissional de pessoas com deficiência, através de imagens captadas em contexto laboral.
Entre os testemunhos mais marcantes desta edição esteve a história de Diogo Faria, jovem de 20 anos com Ataxia Congénita, que inaugurou o Presépio deste ano juntamente com a sua família. Segundo a mãe, Isabel Faria, Diogo “nasceu com uma força interior muito característica” e, apesar das limitações, desenvolveu de forma autodidata competências na música e na informática. A família alertou, contudo, para as dificuldades no acesso a apoios essenciais, como transporte para consultas e sessões de fisioterapia.
Em termos de afluência, os números confirmam o sucesso da iniciativa. Entre 14 de dezembro de 2025 e 12 de janeiro de 2026, o Presépio ao Vivo recebeu mais de 180 grupos organizados, provenientes de várias regiões de Portugal e da Galiza. As visitas envolveram agências de viagens, paróquias, grupos de catequese, associações culturais e recreativas, escuteiros, grupos de jovens, juntas de freguesia e outras instituições, com grupos que variaram entre 20 e mais de 200 participantes.
A organização destaca ainda o elevado número de visitantes espanhóis, sobretudo da Galiza, muitos dos quais contribuíram para a dinamização da economia local, recorrendo a restaurantes e unidades de alojamento em Braga. Segundo o mentor do projeto, esta procura deve-se ao carácter único do Presépio de Priscos, apresentado como um verdadeiro museu vivo e uma “bíblia aberta”, marcado por uma profunda dimensão humanista e solidária.
Os donativos angariados revertem, como habitualmente, para o apoio a reclusos na reconstrução das suas vidas, promovendo a reintegração social e prevenindo novas situações de exclusão. Essa vertente solidária é reforçada pela colaboração, há cerca de uma década, de reclusos do Estabelecimento Prisional de Braga na construção e manutenção do Presépio. Muitos ex-reclusos regressam hoje ao evento com as suas famílias, testemunhando percursos de mudança, recomeço e gratidão.
O sucesso do Presépio ao Vivo de Priscos assenta também no empenho de cerca de 600 figurantes voluntários, que, com dedicação e espírito comunitário, dão vida a esta grandiosa encenação, acolhendo milhares de visitantes, crentes e não crentes.
Mais do que uma representação do Natal, o Presépio ao Vivo de Priscos afirma-se como um projeto que fala à consciência e ao coração, promovendo inclusão real, dignidade humana, superação e esperança. O impacto profundamente positivo desta edição confirma-o como um projeto de referência cultural, pastoral e social, com alcance regional, nacional e internacional, onde o Natal se vive de forma viva, comprometida e transformadora.































