Vereador da Iniciativa Liberal aconselha João Rodrigues a desistir do BRT em Braga

Rui Rocha considera impossível cumprir prazos do PRR e defende aposta num metro de superfície como solução estrutural para a mobilidade.

O vereador da Iniciativa Liberal (IL) na Câmara Municipal de Braga, Rui Rocha, considera que a implementação da linha vermelha do BRT está comprometida e aconselha o presidente da autarquia, João Rodrigues, a desistir do projeto, cuja conclusão é condição essencial para garantir 76 milhões de euros de financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

Em declarações à Rádio Universitária do Minho (RUM), Rui Rocha afirma que a possibilidade de cumprir os prazos impostos pelo PRR está “totalmente ultrapassada”, sublinhando que, a poucos meses da data limite, a empreitada da primeira linha do BRT ainda não teve início. Para o vereador liberal, o presidente da Câmara enfrenta agora “um dilema político grave”, tendo de decidir entre avançar com um projeto que considera inviável ou abandoná-lo definitivamente.

O BRT de Braga chegou a prever quatro linhas, mas o executivo então liderado por Ricardo Rio acabou por assumir dificuldades na concretização do plano inicial, desistindo de duas e, posteriormente, reduzindo o projeto a apenas uma — a linha vermelha, que ligaria a Estação de Comboios ao Hospital de Braga, passando pelo campus de Gualtar da Universidade do Minho.

Segundo Rui Rocha, mesmo que a obra avançasse, dificilmente resolveria os problemas estruturais de mobilidade da cidade. O vereador lembra ainda que João Rodrigues, enquanto candidato do PSD nas últimas autárquias, assumiu o compromisso de avançar com o BRT, mas considera que o atual presidente já terá consciência de que “não é possível cumprir os prazos” nem garantir uma solução eficaz apenas com uma linha.

A Iniciativa Liberal, que sempre se mostrou crítica em relação ao BRT, defende agora que o município deve abandonar este projeto e iniciar estudos para a implementação de um metro de superfície. Para Rui Rocha, esta seria a única resposta verdadeiramente estrutural para os desafios da mobilidade em Braga, alertando que insistir no BRT poderá resultar num investimento elevado sem retorno efetivo para a cidade.