Seguro pede concentração de votos para garantir presença de um democrata na segunda volta

Candidato presidencial alerta para riscos constitucionais e defende vitória já no domingo

António José Seguro deixou, esta noite, um derradeiro apelo ao voto, sublinhando a importância de garantir que a segunda volta das eleições presidenciais conte com alguém “inequivocamente democrata, leal à Constituição” e defensor do Estado social. No comício de encerramento da campanha, no Fórum Lisboa, o candidato apoiado pelo PS considerou ainda fundamental terminar a primeira volta em primeiro lugar, também pela mensagem que isso transmite a nível internacional.

Apelo à concentração de votos

Perante uma sala cheia, Seguro insistiu que a dispersão de votos por candidaturas sem hipóteses de chegar à segunda volta representa um “desperdício”. Para o antigo secretário-geral socialista, a eleição exige uma escolha clara em torno de valores democráticos e constitucionais.

“Nós precisamos de ter na segunda volta alguém que inequivocamente é um democrata, alguém que inequivocamente é leal à Constituição da República Portuguesa, alguém que inequivocamente é defensor do Serviço Nacional de Saúde, da Escola Pública e da Proteção Social Pública”, afirmou.

Importância de vencer a primeira volta

Embora tenha procurado conter o entusiasmo em torno das sondagens, Seguro sublinhou que não é indiferente ficar em primeiro ou segundo lugar, apontando mesmo à vitória já no domingo.

Defendeu que um bom resultado terá impacto além-fronteiras: “É muito importante que lá fora, nas páginas dos jornais do dia seguinte, se diga que os valores da liberdade, da democracia, da República e de um país moderno e coeso venceram em Portugal”.

Alertas sobre revisão constitucional

No discurso, o candidato alertou para o facto de dois dos seus principais adversários defenderem a revisão da Constituição, sublinhando que, pela primeira vez na história democrática, pode existir uma maioria política capaz de a alterar sem necessidade de consensos alargados.

“Hoje não há nenhuma lei que não possa ser revista, aprovada e votada na Assembleia da República sem votos do centro-esquerda ou da esquerda”, alertou, considerando tratar-se de uma situação inédita no país.

Críticas à direita e defesa da democracia

Sem mencionar diretamente o Chega, Seguro criticou uma direita que, segundo disse, procura “pôr portugueses contra portugueses”, colocando em causa conquistas alcançadas ao longo de 50 anos de democracia.

Referiu ainda que a eleição presidencial representa um momento decisivo para garantir uma visão de sociedade assente no progresso, na coesão e na dignidade, defendendo que a sua campanha elevou o debate político e recusou ataques pessoais.

Promessa de mudança em Belém

No final, António José Seguro prometeu que, caso seja eleito, “nada ficará como dantes” e que o Presidente da República deve ser a voz de todos os portugueses, em particular de quem sente não a ter.

A sessão contou com um momento musical de Gisela João e com a presença de várias figuras socialistas, como Manuel Alegre, Maria de Belém Roseira e antigos ministros, embora sem a participação do líder do PS, José Luís Carneiro.

Também a mandatária nacional da candidatura, Maria do Carmo Fonseca, alertou para ameaças a direitos fundamentais em várias partes do mundo, defendendo que Portugal precisa de um Presidente que afirme, sem hesitações, os direitos das mulheres à autodeterminação e à liberdade de escolha.

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