VASP admite corte iminente na distribuição de jornais em Trás-os-Montes

Empresa considera economicamente inviável manter rotas no interior e alerta para impacto social da decisão

O presidente do Conselho de Administração da VASP alertou esta terça-feira que a distribuição de jornais no interior do país está “na iminência” de ser cortada, sublinhando que a operação deixou de ser economicamente sustentável em regiões como Trás-os-Montes.

Distribuição no interior em risco

A posição foi assumida por Marco Galinha durante uma audição na Comissão Parlamentar de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, realizada a pedido do grupo parlamentar do Chega, na sequência do anúncio da suspensão da distribuição de imprensa, ainda este mês, em oito distritos do interior, entre os quais Vila Real e Bragança.

“A VASP está na iminência de cortar rotas”, afirmou o responsável, garantindo que a empresa tem procurado estar ao lado dos editores, mas que já não consegue suportar resultados negativos recorrentes nas zonas do interior do país.

“Estamos preocupados com as pessoas no interior, mas não é viável distribuir jornais no interior do país”, reforçou.

Custos acumulados e ausência de alternativas

Também presente na audição, o administrador Rui Moura destacou que a VASP “sempre falou com todos os grupos parlamentares” e que reuniu, há cerca de 10 dias, com a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP).

Segundo Rui Moura, os custos da operação têm sido absorvidos pela própria empresa e a situação arrasta-se há vários anos. “Desde 2019 que não é viável distribuir jornais no interior do país”, afirmou.

Marco Galinha salientou ainda que a VASP é hoje um “monopólio natural”, após o desaparecimento dos restantes operadores do mercado. “Se vier outra empresa, duplica os custos e torna a operação ainda mais inviável”, explicou.

Críticas ao enquadramento político e institucional

O presidente da VASP lamentou o que classificou como “insensibilidade” perante a situação atual e referiu que a empresa foi impedida de contactar diretamente o gabinete do ministro da tutela, António Leitão Amaro, sem adiantar mais detalhes.

Recordou, contudo, que recebeu com satisfação o anúncio, em outubro de 2024, do Plano de Ação para a Comunicação Social (PACS), considerando que se tratava de um conjunto de medidas “fundamentais para garantir o direito das pessoas a comprarem jornais”.

Segundo Marco Galinha, houve várias reuniões com responsáveis governativos, incluindo o então ministro Pedro Duarte, que terá prometido lançar um concurso para a distribuição num prazo de sete semanas. Acrescentou que o secretário de Estado Abreu Amorim deixou o processo preparado, mas que a queda do Governo fez com que “tudo voltasse à estaca zero”.

“Foi o que é típico em Portugal”, lamentou, elogiando ainda o currículo de Leitão Amaro, embora admita desconhecer o que aconteceu entretanto. “Alguma coisa se passou”, insistiu.

Salário mínimo e crise no setor agravam cenário

Entre os fatores que mais pressionam o negócio, Marco Galinha apontou a subida do salário mínimo, com um impacto anual de quase um milhão de euros na VASP, e o desaparecimento do grupo Trust in News (TiN), que afetou significativamente o volume de distribuição.

Em resposta aos deputados, Rui Moura sublinhou que “a distribuição de imprensa não é venda de pão”, destacando a complexidade logística associada ao setor.

Marco Galinha concluiu afirmando que a distribuição de jornais é um negócio em profunda transformação, lembrando que, apesar da evolução tecnológica, “a inteligência artificial não é tudo” quando está em causa o acesso à informação, sobretudo nas regiões do interior.

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