Gil Vicente FC ‘rouba’ quarto lugar ao Sporting Clube de Braga

‘Galo’ canta mais alto no dérbi do Minho e sobe ao 4.º lugar da Primeira Liga

O Gil Vicente FC venceu o Sporting Clube de Braga por 2-1, em Barcelos, em jogo da 22.ª jornada da Primeira Liga, consumando uma reviravolta no segundo tempo que valeu o regresso ao quarto lugar do campeonato.

Depois de Ricardo Horta ter colocado os bracarenses em vantagem, aos 21 minutos, os gilistas responderam com personalidade após o intervalo. Gustavo Varela restabeleceu a igualdade, aos 65, e Santi García confirmou a reviravolta, aos 77 minutos.

Com este triunfo, o Gil Vicente soma agora 40 pontos e recupera o quarto posto, perdido há duas semanas precisamente para o Braga. Já os minhotos orientados por Carlos Vicens caem para o quinto lugar, com 39 pontos, falhando uma inédita série de cinco vitórias consecutivas na prova.

Braga mais eficaz na primeira parte

O dérbi minhoto começou equilibrado, com ambas as equipas a privilegiarem a organização defensiva. Ainda assim, o Braga mostrou-se mais perigoso nas aproximações iniciais.

Após um primeiro aviso de Rodrigo Zalazar, foi aos 21 minutos que os visitantes abriram o marcador. Numa transição rápida, Víctor Gómez cruzou para a área e Ricardo Horta surgiu a finalizar para o 1-0, assinando o seu 11.º golo no campeonato.

Antes do intervalo, Santi García dispôs de duas oportunidades para empatar, mas faltou eficácia na definição.

Reação de carácter dos gilistas

No segundo tempo, o conjunto de Barcelos regressou mais determinado e empurrou o Braga para zonas recuadas. O empate surgiu aos 65 minutos, após recuperação de Luís Esteves e assistência de Santi García para Gustavo Varela, que rematou para o 1-1.

O golo galvanizou os anfitriões. Apesar das alterações promovidas por Carlos Vicens — com as entradas de Diego Rodrigues, Demir Tiknaz e Paulo Oliveira — o Braga revelou intranquilidade.

A reviravolta consumou-se aos 77 minutos. Murilo cruzou com precisão e Santi García apareceu ao segundo poste a cabecear para o 2-1, selando o resultado final.

Até ao apito final, o Braga tentou reagir, mas encontrou um Gil Vicente sólido e motivado, que segurou a vantagem e fez o ‘Galo’ cantar mais alto no dérbi do Minho.

Carlos Vicens: «Custou-nos suster o jogo do Gil Vicente FC»

Treinador do Sporting Clube de Braga admite fragilidades nas bolas paradas

Após a derrota em Barcelos, o treinador do Sporting Clube de Braga, Carlos Vicens, reconheceu que a equipa não esteve ao nível exigido e assumiu dificuldades em controlar o encontro, sobretudo na segunda parte.

Análise ao jogo

O técnico considerou que a equipa precisa de ter maior capacidade de retenção de bola e maturidade competitiva.

“A equipa tem de ser capaz de ter mais bola. Já tivemos jogos com mais duelos em que conseguimos assumir mais posse do que hoje. Criámos dificuldades ao adversário, mas não estávamos a conseguir materializar no último terço”, afirmou.

Vicens destacou que, após o golo inaugural, o Braga não conseguiu dar continuidade ao bom momento. “Conseguimos marcar o primeiro golo e não demos continuidade. Na segunda parte, em diferentes circunstâncias, acho que não fomos capazes de ter maturidade e competitividade para controlar o jogo.”

O treinador admitiu ainda que o empate mudou o rumo emocional da partida. “Sofremos um golo e nesse momento as energias mudam. Custou-nos a suster o jogo.”

Além disso, voltou a apontar fragilidades defensivas nas bolas paradas: “Acabámos por sofrer mais um golo de bola parada. Temos de ser mais vivos, mais contundentes no último terço. Foi insuficiente e não estamos contentes com esta exibição. Tem de ser mais difícil marcar de bola parada ao Sp. Braga.”

Impacto da perda do 4.º lugar

Questionado sobre o impacto anímico de perder o quarto lugar, Carlos Vicens foi claro: “Estamos chateados porque perdemos e a equipa está triste. Temos de melhorar e trabalhar durante a semana para conseguir fazer coisas diferentes.”

O treinador concluiu que a resposta à derrota passa pelo trabalho: “O impacto que uma derrota deve ter na equipa é trabalhar mais e melhor durante a semana para fazer mais e melhor do que fizemos hoje.”

César Peixoto: «O segredo da equipa é o trabalho e a humildade»

Treinador do Gil Vicente FC destacou a consistência e crença do grupo após triunfo frente ao Sporting Clube de Braga

No final do encontro disputado no Estádio Cidade de Barcelos, César Peixoto mostrou-se satisfeito com a exibição da equipa e considerou que a vitória foi justa, sublinhando a personalidade demonstrada frente a um adversário de grande qualidade.

Análise ao jogo

“É uma grande vitória da nossa parte. Estivemos a perder por 1-0, mas a equipa nunca se desorganizou”, começou por afirmar.

O técnico destacou a capacidade de reação do grupo: “O Braga marcou nos únicos dois remates que fez. A equipa teve alma, crença e vontade para chegar ao golo. Foi uma grande segunda parte nossa, jogámos olhos nos olhos, e foi uma grande noite e um grande jogo de futebol.”

Peixoto valorizou ainda o facto de o triunfo ter sido alcançado diante de “uma grande equipa que não sofria golos há vários jogos”.

O significado do 4.º lugar

Apesar da subida ao quarto lugar, o treinador procurou relativizar a classificação: “Foram apenas três pontos. Temos uma forma de estar, um ADN, uma identidade, que não abdicamos de jogar olhos nos olhos, seja contra quem for.”

O técnico recordou que o Gil Vicente já tinha ocupado essa posição durante várias jornadas, mas garantiu que o foco permanece no processo: “Recuperámos o quarto lugar, estivemos lá 12 jornadas, mas não pensamos nisso.”

Sublinhando a consistência da equipa, acrescentou: “Tenho um grupo de trabalho fantástico, de jogadores que acreditam na ideia de jogo e acreditam muito uns nos outros. As equipas mais consistentes são as que conquistam mais pontos.”

Melhor segunda volta e objetivos

César Peixoto destacou a evolução ao longo da época: “Estamos a realizar uma melhor segunda volta do que a primeira e isso deixa-nos felizes.”

Quanto ao desempenho nos dérbis minhotos, preferiu desvalorizar: “Não olhamos muito para isso. Fico satisfeito porque as equipas do Minho estão todas lá para cima.”

O treinador recordou ainda que o principal objetivo da temporada já foi alcançado: “O primeiro objetivo está conseguido. O clube merece deixar de lutar pela manutenção e lutar mais pelos lugares cimeiros.”

Por fim, deixou clara a fórmula do sucesso: “O segredo da equipa é o trabalho e a humildade. Agora é olhar jogo a jogo. O que vamos conseguir mais? Não sei. Vamos pensando jogo a jogo.”

Ficha de Jogo

Jogo no Estádio Cidade de Barcelos, em Barcelos.

Gil Vicente – SC Braga, 2-1.

Ao intervalo: 0-1.

Marcadores

0-1, Ricardo Horta, 21 minutos.

1-1, Gustavo Varela, 65.

2-1, Santi García, 76.

Equipas

– Gil Vicente: Lucão, Zé Carlos (Hevertton Santos, 61), Elimbi, Buatu, Konan, Zé Carlos Ferreira, Santi García, Luís Esteves (Antonio Espigares, 86), Murilo Souza (Bermejo, 90), Carlos Eduardo (Gustavo Varela, 46) e Joelson Fernandes (Agustín Moreira, 61).

(Suplentes: Dani Figueira, Hevertton Santos, Espigares, Gonçalo Maia, Bermejo, Rodrigo Rodrigues, Héctor Hernández, Gustavo Varela e Agustín Moreira).

Treinador: César Peixoto.

– SC Braga: Lukas Hornicek, Lagerbielke, Barisic (Paulo Oliveira, 73), Arrey-Mbi (Leonardo Lelo, 80), Víctor Gómez, João Moutinho (Fran Navarro, 80), Florian Grillitsch (Diego Rodrigues, 64), Gabri Martínez, Rodrigo Zalazar, Pau Victor (Tiknaz, 73) e Ricardo Horta.

(Suplentes: Tiago Sá, Paulo Oliveira, Leonardo Lelo, Yanis da Rocha, Diego Rodrigues, Gabriel Moscardo, Tiknaz, Dorgeles e Fran Navarro).

Treinador: Carlos Vicens.

Árbitro: Cláudio Pereira (AF Aveiro).

Ação disciplinar: Cartão amarelo para Luís Esteves (58), Marvin Elimbi (90+3) e Diego Rodrigues (90+6).

Assistência: 7.542 espetadores.