Milhares de pessoas manifestaram-se hoje em Lisboa contra o pacote laboral apresentado pelo Governo, exigindo a sua retirada. O protesto decorreu entre o Cais do Sodré e o Rossio, ao longo de pouco mais de uma hora, com palavras de ordem como “É só mais um empurrão e o pacote vai ao chão” e “o público é de todos, o privado é só de alguns”.
CGTP exige retirada da proposta
O secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, classificou o pacote como “negativo para o mundo do trabalho” e acusou o Governo de contar com o apoio do Chega e da Iniciativa Liberal para dar continuidade à política laboral proposta.
“Exigimos a retirada do pacote laboral e discutir a melhoria das condições de vida dos trabalhadores com propostas concretas”, afirmou no início da manifestação.
Trabalhadores denunciam retrocesso
Entre os manifestantes estavam pessoas de várias idades. Natália Moreira, de 75 anos, disse ter participado para apoiar os mais novos:
“Como é que se consegue viver neste país com o aumento do custo de vida como está?”
Já Elsa Arruda, trabalhadora da Câmara Municipal de Loures, criticou possíveis alterações às regras de despedimento:
“Não passa pela cabeça de ninguém poder despedir só porque sim.”
Cátia Nunes considerou que o pacote representa “um retrocesso social dos direitos dos trabalhadores”.
Partidos juntam-se ao protesto
Também marcaram presença representantes do Partido Comunista Português, Bloco de Esquerda e Livre.
O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, afirmou que “este pacote é para cair”.
Já o dirigente do Bloco, José Manuel Pureza, apelou a uma posição firme do Presidente da República eleito, António José Seguro.
Do Livre, o deputado Jorge Pinto questionou a necessidade de mais de 100 alterações ao Código do Trabalho.
O que está em causa
O anteprojeto de reforma laboral, denominado “Trabalho XXI”, foi apresentado pelo Governo liderado por Luís Montenegro (PSD/CDS-PP) em julho de 2025. Está prevista uma reunião plenária da Concertação Social na próxima terça-feira.
A contestação nas ruas mostra que o tema promete continuar a marcar a agenda política e social nas próximas semanas.


































