A tradicional celebração do Combate da Coca, em Monção, está mais perto de ser reconhecida como Património Cultural Imaterial. O processo de inscrição no Inventário Nacional entrou em consulta pública por um período de 30 dias, após deliberação do Instituto do Património Cultural.
O anúncio foi publicado em Diário da República e marca um passo decisivo para a valorização desta tradição secular, integrada nas festividades do Corpo de Deus.
Um combate simbólico entre o bem e o mal
O ponto alto da celebração é o confronto entre São Jorge, representando o bem, e a mítica Coca — um dragão que simboliza o mal.
Na encenação, São Jorge surge montado num cavalo branco, enfrentando a Coca, uma estrutura de grandes dimensões, pintada de verde, com cabeça móvel e efeitos de fumo, que percorre as ruas empurrada por vários intervenientes.
Segundo a tradição, o cavaleiro vence ao cortar uma das orelhas do dragão e ao atingir as suas goelas com a lança por três vezes.
Tradição ligada à fertilidade e ao vinho Alvarinho
A população local associa a vitória de São Jorge a bons presságios agrícolas, sobretudo para as colheitas, com destaque para o vinho Alvarinho, um dos produtos emblemáticos da região.
Mais do que um espetáculo, o Combate da Coca é uma manifestação cultural que mistura o sagrado e o profano, mantendo viva uma identidade coletiva transmitida de geração em geração.
A possível classificação como património imaterial representa um reconhecimento nacional da importância desta tradição única no panorama cultural português.































