Sem-abrigo duplicam em Braga em três anos e pressão sobre apoios dispara

Júlio Guedes, presidente Cruz Vermelha Braga

Cruz Vermelha alerta para falta de respostas e admite que número pode chegar à centena nos próximos meses

O número de pessoas em situação de sem-abrigo em Braga duplicou nos últimos dois a três anos, segundo dados da Cruz Vermelha local, que acompanha atualmente entre 55 e 60 casos sinalizados — um valor que poderá ser ainda superior na realidade.

Há cerca de três anos, o número situava-se entre 25 e 30 pessoas, evidenciando um agravamento rápido da exclusão social na cidade. A subida acentuada está associada, sobretudo, ao aumento do custo das rendas e à dificuldade de acesso a habitação digna.

De acordo com Nuno Rodrigues, adjunto executivo da Cruz Vermelha de Braga, o sistema de apoio está sob forte pressão, criando um efeito de bloqueio: muitas pessoas permanecem mais tempo em respostas de alojamento temporário por falta de alternativas permanentes, impedindo a entrada de novos casos.

A instituição revela ainda que tem recebido mais pedidos de ajuda do que aqueles que consegue responder, enfrentando situações complexas que envolvem isolamento social, problemas de saúde mental e, em alguns casos, dependências.

O presidente da entidade, Júlio Guedes, alerta que o cenário pode agravar-se nos próximos meses, especialmente devido à instabilidade laboral e possíveis insolvências em setores com maior precariedade. “Podemos chegar à centena de casos em meia dúzia de meses”, avisa.

Face à situação, a Cruz Vermelha vai promover um debate com especialistas nacionais e internacionais, procurando novas abordagens e soluções para um problema que considera estrutural e em crescimento.

Em 2026, já foram registadas duas mortes entre pessoas em situação de sem-abrigo na cidade. Embora não estejam diretamente relacionadas com a vida na rua, os responsáveis sublinham o impacto emocional destes casos e reforçam a necessidade de intensificar medidas de prevenção e apoio social.

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