Portugal lidera mortes em acidentes urbanos na UE e acende alerta nas cidades

Relatório da ANSR revela aumento de vítimas após pandemia e aponta excesso de velocidade como principal problema

Portugal apresenta atualmente o perfil de mortalidade rodoviária urbana mais elevado da União Europeia, segundo um estudo da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, que alerta para a necessidade urgente de reforçar medidas nas cidades.

De acordo com o relatório, 55% das mortes em acidentes rodoviários ocorrem em meio urbano, um valor muito acima da média europeia (39%) e de países como Espanha, onde apenas 27% das vítimas mortais resultam de acidentes em zonas urbanas.

Mortalidade sobe nas cidades após pandemia

O estudo revela uma inversão da tendência após a pandemia: entre 2022 e 2025, os acidentes dentro das localidades registaram um aumento da mortalidade — mais 8% nas primeiras 24 horas e 5,9% até 30 dias após o acidente.

Em contraste, fora das localidades, a mortalidade continuou a diminuir de forma consistente.

Outro dado preocupante é o aumento significativo de feridos graves em ambos os contextos, com especial impacto nas zonas urbanas.

Acidentes urbanos mais mortais a médio prazo

Segundo a ANSR, os acidentes nas cidades tendem a ser menos fatais no imediato, mas mais letais a médio prazo. Por cada 100 mortes nas primeiras 24 horas, registam-se mais 45 mortes até aos 30 dias — um número muito superior ao verificado fora das localidades.

Este padrão indica maior incidência de lesões graves que acabam por ter desfecho fatal semanas depois.

Excesso de velocidade no centro do problema

O relatório destaca ainda que Portugal enfrenta um problema mais grave de excesso de velocidade em meio urbano do que Espanha, com 65,2% dos condutores a admitirem comportamentos de risco, face a 48,4% no país vizinho.

A ANSR aponta como prioridades a redução da velocidade nas cidades, o reforço das infraestruturas pedonais e cicláveis e a proteção dos utilizadores mais vulneráveis, como peões e motociclistas.

Verão concentra maior gravidade

O terceiro trimestre do ano, correspondente aos meses de verão, concentra mais de 30% das vítimas mortais e feridos graves, apesar de não registar o maior número de acidentes, o que indica uma maior gravidade dos sinistros neste período.

Apesar da evolução positiva nas últimas décadas — com a taxa de mortalidade a descer de 118,8 por milhão de habitantes em 2005 para 58,1 em 2024 — Portugal continua acima da média europeia (45), mantendo-se entre os países com piores indicadores de segurança rodoviária.

O relatório surge no dia da tomada de posse de Pedro Clemente como presidente da ANSR, numa cerimónia presidida pelo ministro da Administração Interna, Luís Neves, que deverá anunciar novas medidas para travar a sinistralidade rodoviária no país.

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