Cerca de oito mil professores dão aulas longe de casa e sem apoio à deslocação

Cerca de oito mil docentes em Portugal estão colocados a mais de 50 quilómetros da residência, muitos sem acesso a qualquer apoio à deslocação, suportando despesas mensais que podem ultrapassar os 250 euros em combustível.

O alerta foi deixado pela Federação Nacional de Educação (FNE), no âmbito de uma reunião negocial sobre a revisão do Estatuto da Carreira Docente (ECD).

Segundo o secretário-geral da estrutura sindical, Pedro Barreiros, apesar de o Governo indicar que 94% dos professores estão colocados a menos de 50 quilómetros de casa, existe ainda um universo significativo que enfrenta deslocações diárias superiores a 100 quilómetros.

Muitos destes docentes ficam excluídos do apoio extraordinário à deslocação, uma vez que este apenas abrange professores colocados a pelo menos 70 quilómetros da residência. “São professores que gastam cerca de 250 euros por mês na estrada ou mais”, sublinhou o dirigente sindical, defendendo soluções específicas para este grupo.

Durante a reunião, foram também apresentados detalhes sobre o novo modelo de concursos que o Ministério da Educação pretende implementar. A proposta passa por manter um concurso nacional – para mobilidade e vinculação – e criar um concurso contínuo nacional, destinado a substituir os atuais mecanismos existentes.

A FNE defende, contudo, a criação de um mecanismo intermédio que permita aos professores dos quadros concorrer à mobilidade entre os dois momentos previstos.

Também a presidente do Sindicato Independente de Professores e Educadores (SIPE), Júlia Azevedo, destacou que o modelo proposto será centralizado, anual e baseado na graduação profissional, mas admitiu que ainda faltam detalhes para uma avaliação completa.

O Ministério deverá agora enviar a proposta formal aos sindicatos, que terão até quinta-feira para apresentar contributos. Estão já agendadas novas reuniões técnicas e negociais para os dias 4 e 11 de maio.

Entre as prioridades apontadas pelas estruturas sindicais está a necessidade de garantir maior equidade no acesso a apoios e reduzir o impacto das deslocações prolongadas na vida dos professores.

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