SC Braga vence no fim e dá passo firme rumo à final da Liga Europa

SC BRAGA - Dorgeles

O SC Braga venceu o SC Freiburg por 2-1, com um golo dramático aos 90+2 minutos, na primeira mão das meias-finais da Liga Europa, disputada no Estádio Municipal de Braga, completamente cheio e num ambiente de grande intensidade.

Entrada forte e resposta imediata alemã

A equipa de Carlos Vicens entrou determinada e dominadora. Logo aos oito minutos, os minhotos chegaram ao golo: Víctor Gómez ganhou espaço na direita e assistiu Berkay Tiknaz, que apareceu em zona frontal para finalizar com qualidade.

A vantagem, contudo, durou pouco. Aos 16 minutos, uma falha de comunicação entre Paulo Oliveira e Isak Hien Lagerbielke permitiu ao Freiburg sair em transição rápida. Jan-Niklas Beste assistiu Vincenzo Grifo, que empatou com frieza.

Contrariedade importante: saída de Ricardo Horta

O jogo ficou ainda mais complicado para os bracarenses quando o capitão Ricardo Horta sentiu problemas musculares e teve de sair aos 26 minutos, dando lugar a Dorgeles Nene — substituição que viria a ser decisiva.

Penalti falhado antes do intervalo

O Braga manteve iniciativa ofensiva e foi premiado com uma grande penalidade já em tempo de compensação da primeira parte. Após intervenção do VAR, Rodrigo Zalazar assumiu a marcação, mas permitiu a defesa de Noah Atubolu (45+2), desperdiçando uma oportunidade de ouro para sair em vantagem para o intervalo.

Segunda parte mais equilibrada — e mais física

No segundo tempo, o SC Freiburg entrou melhor, mais agressivo nos duelos e a explorar o desgaste físico do Braga. Criou perigo, nomeadamente por Maximilian Eggestein, obrigando Lukáš Horníček a uma intervenção apertada.

O Braga respondeu mais em gestão e transições, procurando controlar o ritmo e evitar riscos, apesar das várias ausências no setor defensivo.

Explosão final: golo aos 90+2

Quando o empate parecia inevitável, surgiu o momento decisivo. Aos 90+2 minutos, Víctor Gómez voltou a ser determinante ao criar desequilíbrio pela direita. O lance culminou num remate de Vítor Carvalho, defendido de forma incompleta, com Dorgeles Nene a aparecer na recarga para fazer o 2-1 e levar o estádio à loucura.

Vitória com peso histórico

Este triunfo coloca o SC Braga em vantagem na eliminatória e mais próximo de regressar a uma final europeia, algo que não acontece desde 2011, quando perdeu frente ao FC Porto em Dublin.

Apesar da vantagem mínima, o resultado é significativo, sobretudo pelo contexto:

  • várias baixas na defesa
  • saída prematura do capitão
  • penalti falhado
  • e um adversário fisicamente muito forte

Tudo em aberto na segunda mão

A decisão será na Alemanha, onde o SC Freiburg tentará inverter a eliminatória. O Braga parte em vantagem, mas terá de repetir uma exibição muito consistente — e emocionalmente equilibrada — para garantir presença na final de Istambul.

Carlos Vicens, treinador do SC Braga, em declarações na sala de imprensa do Estádio Municipal de Braga, após o triunfo (2-1) sobre o Friburgo em jogo da 1.ª mão das meias-finais da Liga Europa

Carlos Vicens destaca “mentalidade excecional” do Braga após vitória sobre o Friburgo

O treinador do SC Braga, Carlos Vicens, elogiou a resposta da equipa às adversidades após o triunfo por 2-1 frente ao SC Freiburg, na primeira mão das meias-finais da Liga Europa.

Na análise ao encontro, o técnico espanhol destacou sobretudo a força mental dos seus jogadores num jogo marcado por vários contratempos. Sublinhou que a equipa reagiu a um golo sofrido, à lesão de Ricardo Horta e a um penálti falhado, mantendo sempre a crença até ao final. Para Vicens, o Braga “nunca deixou de insistir” e demonstrou ser “uma verdadeira equipa”.

O treinador referiu também a importância do apoio dos adeptos no Estádio Municipal de Braga, considerando que o ambiente vivido ajudou a empurrar a equipa para uma vitória conquistada nos últimos instantes.

Apesar da vantagem, Vicens fez questão de alertar que a eliminatória está longe de decidida. Recordou que ainda faltam 90 minutos na Alemanha e que o Friburgo irá tentar dar a volta ao resultado, exigindo ao Braga uma exibição ao mais alto nível.

Sobre a condição física de Ricardo Horta, o técnico revelou que se trata de uma lesão muscular, ficando a avaliação final dependente de exames.

Já sobre o autor do golo decisivo, Dorgeles Nene, destacou o trabalho e a persistência do jogador ao longo da época, considerando que o golo poderá ser importante para o aumento da sua confiança e rendimento.

Mesmo com o foco europeu, Vicens garantiu que a equipa não irá facilitar no campeonato, apontando já ao próximo jogo frente ao Estoril, sublinhando a necessidade de recuperação física e concentração.

Por fim, deixou clara a ambição do grupo: chegar à final da Liga Europa. A vantagem é curta, mas o Braga segue confiante para a segunda mão, apoiado numa forte coesão coletiva e numa mentalidade competitiva que o treinador considera determinante.

Julian Schuster, treinador do Friburgo, em declarações na sala de imprensa do Estádio Municipal de Braga, após o derrota (2-1) diante do SC Braga em jogo da 1.ª mão das meias-finais da Liga Europa

O treinador do SC Freiburg, Julian Schuster, fez uma leitura equilibrada da derrota por 2-1 frente ao SC Braga, sublinhando que o desfecho não compromete a eliminatória e que a sua equipa acredita na reviravolta na segunda mão.

Na análise ao encontro, Schuster começou por destacar que o jogo correspondeu ao que esperava: um Braga pressionante e difícil de travar, que entrou forte e marcou cedo. Ainda assim, valorizou a reação imediata do Friburgo, que conseguiu empatar e estabilizar o jogo, passando depois a atuar com mais intensidade e controlo.

O técnico alemão admitiu dificuldades na segunda parte, sobretudo na ligação direta ao avançado Igor Matanović, reconhecendo que a equipa não conseguiu executar esse plano com a eficácia desejada. Apesar disso, considerou que o Friburgo teve bons momentos, especialmente em transição ofensiva, e criou situações que poderiam ter resultado em mais golos.

Schuster lamentou o facto de a sua equipa ter sofrido o golo decisivo já muito perto do fim, apontando a necessidade de melhorar defensivamente nesses momentos. Ainda assim, fez uma avaliação global positiva da exibição, reforçando que o desempenho, sobretudo na segunda parte, dá confiança para o jogo da segunda mão.

O treinador deixou uma mensagem clara: a eliminatória está em aberto. Com mais 90 minutos para jogar na Alemanha, o Friburgo acredita que tem capacidade para inverter a desvantagem. Schuster garantiu que a equipa sabe o que precisa de fazer e que vai preparar o próximo jogo com essa ambição.

Sobre aspetos individuais, destacou o trabalho de Matanović, que criou dificuldades à defesa bracarense, e sublinhou a importância da eficácia nas oportunidades criadas — um fator que poderá ser decisivo no encontro decisivo.

Por fim, enquadrou a importância do momento: disputar uma meia-final da Liga Europa é algo especial, exigindo uma mentalidade forte para conciliar esta competição com a Bundesliga. Ainda assim, mostrou confiança na evolução recente da equipa e na capacidade de responder ao desafio na segunda mão.

Ficha de jogo

Jogo no Estádio Municipal de Braga.

SC Braga – Friburgo, 2-1.

Ao intervalo: 1-1.

Marcadores

1-0, Demir Tiknaz, 08 minutos.

1-1, Vincenzo Grifo, 16.

2-1, Dorgeles, 90+2.

Equipas

– SC Braga: Hornicek, Vítor Carvalho, Paulo Oliveira, Lagerbielke, Victor Gómez, João Moutinho, Gorby, Tiknaz, Zalazar (Fran Navarro, 72), Ricardo Horta (Dorgeles, 26) e Pau Víctor.

(Suplentes: Tiago Sá, Bellaarouch, Jónatas Noro, Afonso Sousa, Yanis da Rocha, Lelo, Luisinho, Dorgeles, João Vasconcelos, Rodrigo Silva, Fran Navarro e El Ouazzani).

Treinador: Carlos Vicens.

– Friburgo: Noah Atubolu, Philipp Treu, Matthias Ginter, Philipp Lienhart, Jordy Makengo, Maximilian Eggestein, Johan Manzambi, Jan-Niklas Beste, Yuito Suzuki (Lucas Höler, 81), Vincenzo Grifo (Derry Scherhant, 81) e Igor Matanovic.

(Suplentes: Florian Müller, Jannik Huth, Lukas Kubler, Bruno Ogbus, Anthony Jung, Christian Günter, Nicolas Höfler, Rouven Tarnutzer, Cyriaque Irié, Maximilian Philipp, Lucas Höler e Derry Scherhant).

Treinador: Julian Schuster.

Árbitro: Anthony Taylor (Inglaterra).

Ação disciplinar: cartão amarelo para Vítor Carvalho (16), Vincenzo Grifo (18), Philipp Lienhart (45+1), Victor Gómez (58) e Jordy Makengo (72).

Assistência: 27.161 espetadores.

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