Executivo garante combustível para a aviação até final de agosto e assegura que, para já, não estão previstas medidas para travar consumo
O Governo afastou, para já, qualquer recomendação para reforçar o teletrabalho ou reduzir as viagens aéreas como forma de responder à atual crise energética provocada pela escalada da tensão internacional e pelo impacto nos mercados petrolíferos.
A garantia foi dada esta sexta-feira pela ministra da Energia, Maria da Graça Carvalho, que assegurou também que o abastecimento de combustível para a aviação está salvaguardado até ao final de agosto.
Teletrabalho “não está em cima da mesa”
Em declarações aos jornalistas portugueses, em Bruxelas, após uma intervenção no Conselho da Diáspora, a governante foi clara ao afirmar que o Executivo não está sequer a equacionar recomendar o teletrabalho.
“A questão do teletrabalho, para nós, não está ainda em cima da mesa. Há muitas formas de chegar ao trabalho e não estamos sequer a discutir ainda essa questão”, afirmou.
A posição surge numa altura em que a Agência Internacional da Energia tem defendido várias medidas de contenção para reduzir o consumo energético, entre elas o recurso ao trabalho remoto.
Governo rejeita apelos para reduzir viagens aéreas
Maria da Graça Carvalho recusou igualmente qualquer recomendação no sentido de limitar viagens de avião, defendendo o direito dos cidadãos a viajar, especialmente com a aproximação do período de férias.
“As pessoas têm direito às suas férias e às viagens”, sublinhou.
A ministra destacou ainda o peso da diáspora portuguesa e a importância económica do turismo nacional.
“Temos uma grande diáspora que gosta de regressar a Portugal para estar com a família, e o turismo representa 15% do Produto Interno Bruto. Além disso, viajar faz parte do enriquecimento cultural das pessoas”, referiu.
Combustível para aviões assegurado até agosto
Relativamente ao abastecimento de combustível para a aviação, a governante garantiu que as principais operadoras já têm reservas asseguradas para os próximos meses.
Segundo explicou, tanto a Galp como a Repsol garantem fornecimento de jet fuel até ao final de agosto.
Caso o conflito internacional se prolongue ou agrave, existem mecanismos alternativos preparados.
“Têm planos B e C para assegurar a importação dos 20% necessários”, revelou.
Ainda assim, reconheceu que a continuidade da crise poderá agravar a pressão sobre os mercados energéticos.
“O efeito destas crises é cumulativo. Vamos ter esperança que tudo termine antes de agosto”, afirmou.
Europa mantém foco na eficiência energética
No final de abril, a Comissão Europeia apresentou um conjunto de medidas para mitigar o impacto da subida dos preços da energia.
Entre as soluções avançadas estiveram apoios direcionados a consumidores e empresas, possíveis reduções fiscais, ajustamentos tarifários e utilização de reservas estratégicas.
Apesar de versões preliminares incluírem propostas como um dia obrigatório de teletrabalho por semana e incentivos à redução das viagens aéreas, essas recomendações acabaram por não integrar a versão final apresentada por Bruxelas.
Aposta em veículos elétricos vai continuar
Questionada sobre outra recomendação da Agência Internacional da Energia — o reforço dos incentivos à compra de veículos elétricos usados, sobretudo por famílias de baixos rendimentos —, Maria da Graça Carvalho garantiu que o Governo continuará a apoiar a mobilidade elétrica.
Segundo a ministra, o Executivo já tem mecanismos de incentivo para veículos elétricos novos e deverá lançar em breve um novo concurso.
Eletricidade em Portugal mantém preços estáveis
A governante destacou ainda que Portugal tem conseguido resistir melhor ao impacto da crise energética devido à forte incorporação de energias renováveis no sistema elétrico.
Segundo referiu, o preço da eletricidade no país continua entre os mais baixos da União Europeia e não tem registado aumentos significativos associados à atual instabilidade internacional.
A União Europeia continua, no entanto, altamente dependente da importação de petróleo e gás, permanecendo vulnerável a choques externos como o atual conflito que está a pressionar os mercados energéticos globais.



































