Inspetora-chefe que coordenou a investigação disse em tribunal que as imagens de videovigilância não mostram qualquer faca e que o objeto só foi encontrado posteriormente no local.
A inspetora-chefe da Polícia Judiciária que coordenou a investigação à morte de Odair Moniz afirmou esta segunda-feira, no Tribunal de Sintra, que não encontrou indícios que comprovem a utilização de uma faca pela vítima no momento da intervenção policial.
Durante o julgamento, que se encontra na fase final, Cláudia Soares declarou que é sua convicção “que não existiu uma arma branca”, contrariando a versão apresentada pelos agentes envolvidos na ocorrência.
Segundo a responsável da PJ, as imagens recolhidas pelas câmaras de vigilância não mostram Odair Moniz a empunhar qualquer faca durante o confronto com os agentes da PSP.
“Se nós temos uma pessoa que está a empunhar uma arma branca, quando a vítima cai no chão, não se vê nenhuma arma branca”, afirmou a inspetora-chefe em tribunal.
A investigadora acrescentou ainda que, quando a equipa da Polícia Judiciária chegou ao Bairro da Cova da Moura, na Amadora, não foi informada da existência de qualquer faca alegadamente utilizada para ameaçar os polícias.
De acordo com Cláudia Soares, o objeto acabou por ser encontrado mais tarde, no chão, junto às bolsas pertencentes a Odair Moniz, durante a inspeção ao local.
“Quando nós chegámos ao local, nem sequer se fala da faca”, declarou, sublinhando que, em situações deste tipo, o procedimento habitual passa pela imediata apreensão e acondicionamento da arma por questões de segurança e preservação de prova.
A inspetora-chefe destacou também que a faca não apresentava vestígios biológicos, considerando invulgar que um objeto alegadamente manuseado numa situação de confronto não contenha qualquer tipo de vestígio.
Ainda assim, a testemunha confirmou que as imagens analisadas mostram Odair Moniz a resistir à detenção e a agredir os agentes da PSP.
“A vítima é violenta, resiste à detenção”, afirmou, acrescentando que os dois agentes aparentavam receio e dificuldades em concretizar a detenção.
Odair Moniz, de 43 anos, residente no Bairro do Zambujal, morreu a 21 de outubro de 2024, após ter sido atingido a tiro pelo agente da PSP Bruno Pinto, na sequência de uma perseguição relacionada com uma infração rodoviária.
Segundo a acusação do Ministério Público, a vítima foi atingida por dois disparos: um na zona do tórax e outro na região da virilha, efetuados a curta distância.
































