Esposende avança com taxa turística até 2 euros por noite para visitantes

Esposende

Município coloca regulamento em consulta pública e justifica medida com o forte crescimento do turismo e a pressão sobre infraestruturas, serviços e espaços públicos

A Câmara Municipal de Esposende vai implementar uma taxa municipal turística que poderá atingir os dois euros por noite, uma medida que pretende ajudar a financiar os custos associados ao crescente fluxo de visitantes que escolhem o concelho como destino turístico.

O regulamento, publicado esta quinta-feira em Diário da República, encontra-se agora em consulta pública durante 30 dias, antes da sua entrada em vigor.

Quanto vão pagar os turistas?

De acordo com a proposta apresentada pelo município, a taxa turística será aplicada por noite e variará consoante a época do ano.

Na chamada época alta, entre 1 de abril e 30 de setembro, os visitantes pagarão dois euros por noite.

Durante a época baixa, entre 1 de outubro e 31 de março, o valor desce para 1,50 euros por noite.

A cobrança aplica-se a hóspedes com 16 ou mais anos de idade e será limitada a um máximo de cinco noites consecutivas por estadia.

Abrange hotéis, alojamentos locais e parques de campismo

A futura taxa municipal terá um âmbito alargado, abrangendo praticamente todas as modalidades de alojamento turístico existentes no concelho.

Além de hotéis, hostels, pensões e alojamentos locais, a medida aplica-se também a parques de campismo e caravanismo, acompanhando uma tendência já seguida por vários municípios portugueses com forte procura turística.

Quem fica isento?

O regulamento prevê diversas situações de isenção.

Não pagarão a taxa os hóspedes que se desloquem a Esposende por motivos de saúde, incluindo consultas, exames médicos ou tratamentos, desde que apresentem documentação comprovativa.

A isenção estende-se igualmente a um acompanhante da pessoa em tratamento.

Também ficarão dispensados do pagamento:

  • Pessoas alojadas por determinação de entidades públicas em situações de emergência social ou proteção civil;
  • Cidadãos deslocados devido a conflitos armados ou situações de deslocação forçada, abrangidos por processos de asilo devidamente reconhecidos;
  • Residentes no concelho de Esposende.

Turismo cresce de forma expressiva no concelho

A autarquia fundamenta a criação da taxa com o crescimento significativo da atividade turística registado nos últimos anos.

Segundo os dados incluídos no regulamento, entre 2020 e 2025 o número de hóspedes aumentou 74,33%, enquanto as dormidas cresceram 69,37%.

Em 2020, Esposende contabilizou cerca de 26.300 hóspedes e pouco mais de 57 mil dormidas.

Cinco anos depois, esses números ultrapassaram os 102 mil hóspedes e as 186 mil dormidas, confirmando a crescente atratividade do concelho junto dos turistas nacionais e estrangeiros.

Mais visitantes, maior pressão sobre os serviços municipais

A Câmara Municipal considera que este crescimento tem gerado uma utilização cada vez mais intensa dos recursos públicos.

Segundo o documento, o aumento do turismo tem impacto direto em áreas como:

  • Limpeza urbana;
  • Gestão e recolha de resíduos;
  • Conservação de praias e zonas balneares;
  • Manutenção de espaços públicos;
  • Proteção ambiental;
  • Mobilidade e circulação;
  • Segurança;
  • Informação turística;
  • Preservação do património natural, cultural e paisagístico.

A autarquia sublinha que garantir elevados padrões de qualidade, segurança e sustentabilidade exige um esforço financeiro contínuo.

Receitas serão reinvestidas no turismo e na qualidade de vida

De acordo com o regulamento, as verbas arrecadadas através da taxa turística serão aplicadas prioritariamente na manutenção e valorização das infraestruturas e serviços mais utilizados pelos visitantes.

Os recursos servirão também para financiar projetos destinados a melhorar a experiência turística, reforçar a sustentabilidade ambiental do território e assegurar melhores condições de acolhimento para quem visita Esposende.

Com esta medida, Esposende junta-se a um número crescente de municípios portugueses que adotaram taxas turísticas como forma de equilibrar os benefícios económicos do turismo com os custos associados à sua crescente procura.

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