Confederação europeia garante que as suas 55 federações não participarão em provas organizadas pela FIFA enquanto não forem retiradas as propostas de venda de participações privadas nos Campeonatos do Mundo
A UEFA anunciou esta quinta-feira que as suas 55 federações-membro poderão boicotar todas as competições organizadas pela FIFA, tanto ao nível de clubes como de seleções, caso o organismo máximo do futebol mundial mantenha o plano de abrir os Campeonatos do Mundo à participação de investidores privados.
A posição foi tomada no final de uma reunião entre a direção da UEFA e as federações nacionais, realizada na sequência da proposta apresentada pela FIFA para angariar até 4,2 mil milhões de dólares através da venda de participações privadas relacionadas com a organização e exploração comercial dos Campeonatos do Mundo.
UEFA exige recuo imediato da FIFA
Num comunicado divulgado após a reunião, a confederação europeia deixou uma posição inequívoca relativamente ao futuro das relações entre os dois organismos.
Segundo a UEFA, nenhuma das suas associações nacionais participará em competições organizadas pela FIFA enquanto a proposta permanecer em vigor.
A organização liderada por Aleksander Čeferin defende ainda que apenas regressará às provas da FIFA caso o organismo abandone totalmente o projeto e apresente garantias juridicamente vinculativas de que nunca permitirá que a governação ou as competições sejam colocadas sob propriedade privada.
Conflito agrava-se entre os dois organismos
A tensão entre UEFA e FIFA intensificou-se nos últimos dias, depois de a FIFA, presidida por Gianni Infantino, ter apresentado um plano destinado a captar até 4,2 mil milhões de dólares através da entrada de investidores privados na estrutura comercial dos Campeonatos do Mundo.
A proposta gerou forte oposição por parte da UEFA, que considera que uma eventual privatização poderá colocar em causa a independência da governação do futebol mundial e alterar profundamente o modelo de organização das principais competições internacionais.
Boicote poderá afetar clubes e seleções
Caso a posição da UEFA se mantenha e não seja alcançado um entendimento entre as duas entidades, o impacto poderá ser sem precedentes no futebol internacional.
Na prática, as seleções e os clubes das 55 federações filiadas na UEFA poderão deixar de participar em todas as competições organizadas pela FIFA, incluindo torneios de seleções e provas internacionais de clubes.
Uma decisão desta dimensão representaria um dos maiores conflitos institucionais da história do futebol moderno e poderá obrigar a negociações urgentes entre as duas organizações para evitar uma rutura no calendário competitivo mundial.

































