Criança viajava sozinha entre Lisboa e Faro quando o autocarro efetuou uma paragem não prevista em Almodôvar. Pais avançaram para a justiça e a FlixBus abriu uma investigação interna.
Uma menina de 11 anos ficou sozinha numa área de serviço da A2, em Almodôvar, depois de o autocarro onde seguia ter retomado a viagem sem confirmar se todos os passageiros tinham regressado ao veículo.
O incidente ocorreu na passada segunda-feira e envolveu um autocarro operado pela FlixBus que fazia a ligação entre Lisboa e Faro. A criança, que viajava sozinha ao abrigo da autorização disponibilizada pela transportadora, acabou por ser assistida por funcionárias da área de serviço e, posteriormente, pela GNR, até à chegada do pai.
Paragem inesperada terminou em momentos de aflição
Segundo o relato do pai da menor, a viagem decorria normalmente e tinha apenas como destino final a cidade de Faro. No entanto, devido a uma avaria na casa de banho do autocarro, foi realizada uma paragem não prevista numa área de serviço em Almodôvar.
A menina saiu para utilizar as instalações sanitárias, mas quando regressou o autocarro já tinha partido.
A criança contactou de imediato o pai, em lágrimas, relatando que tinha sido deixada para trás.
“A minha filha ligou a chorar, desesperada”, contou o pai ao Correio da Manhã.
Enquanto o pai conduzia em direção a Almodôvar, a mãe deslocou-se à estação de Faro para aguardar a chegada do autocarro e confrontar o motorista.
Motorista terá respondido: “Não sou ama”
De acordo com o relato da família, ao ser confrontado pela mãe da criança, o motorista respondeu que “não sou ama”, acrescentando ainda que “não é a primeira vez que alguém fica em terra”.
Segundo o pai, o condutor recusou também identificar-se.
Funcionárias e GNR apoiaram a criança
Durante o tempo em que permaneceu sozinha, a menina foi auxiliada por funcionárias da área de serviço, que lhe prestaram apoio, procuraram tranquilizá-la e deram-lhe alimentos.
Entretanto, a GNR foi acionada pelas autoridades e uma patrulha permaneceu com a menor até à chegada do pai.
A Guarda Nacional Republicana confirmou que os militares acompanharam a criança até esta ser entregue ao progenitor.
Pais avançam para a justiça
Os pais da menor consideram que houve incumprimento dos deveres por parte do motorista e decidiram avançar judicialmente contra os responsáveis.
Segundo o pai, antes da viagem tinha sido preenchida a Declaração de Autorização de Viagem de Menor, documento disponibilizado pela própria FlixBus para este tipo de situações.
O caso levou ainda as autoridades a questionarem se seria necessária a intervenção da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ), embora, segundo o relato da família, a menina tenha sido rapidamente entregue ao pai sem qualquer consequência física.
FlixBus lamenta o sucedido
Em comunicado citado pela imprensa, a FlixBus confirmou ter conhecimento do incidente e informou que está a apurar, juntamente com o parceiro responsável pela operação da viagem, todas as circunstâncias do sucedido.
A empresa lamentou o impacto causado à criança e à família, assegurando que a segurança e o bem-estar dos passageiros são prioritários.
A transportadora adiantou ainda que, após a conclusão da investigação interna, procederá ao reembolso da viagem e adotará as medidas que considerar necessárias para evitar que situações semelhantes voltem a acontecer.
Outra passageira também ficou em terra
Segundo o pai da menor, a criança não foi a única passageira esquecida durante a paragem. Uma cidadã britânica também terá ficado na área de serviço, enquanto a sua bagagem seguiu viagem até ao destino final.



































