Ambientalistas elogiam restrições do ICNF na Volta a Portugal para proteger a Mata da Albergaria

Associação Zero considera que as medidas impostas pelo Instituto da Conservação da Natureza respondem às preocupações ambientais e reduzem significativamente o impacto da passagem da prova pelo Parque Nacional da Peneda-Gerês.

A associação ambientalista Zero manifestou esta terça-feira satisfação com as medidas de proteção definidas pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) para a passagem da 87.ª Volta a Portugal em bicicleta pelo Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG).

Em causa está a 7.ª etapa da competição, marcada para 13 de agosto, que atravessará a Mata da Albergaria, uma das áreas de maior valor ecológico do parque, situada no concelho de Terras de Bouro.

ICNF impõe fortes restrições para proteger a biodiversidade

O ICNF anunciou que a passagem da prova será acompanhada por um conjunto rigoroso de medidas destinadas a minimizar os impactos sobre os ecossistemas, destacando-se a proibição da presença de público na Mata da Albergaria durante a realização da etapa.

O organismo considera que estas restrições são essenciais para salvaguardar os habitats protegidos e reduzir o risco de perturbação da fauna e da flora existentes numa das zonas ambientalmente mais sensíveis do país.

Zero considera que preocupações foram atendidas

Em comunicado, a associação Zero afirma que a decisão do ICNF responde de forma adequada aos esclarecimentos solicitados pela organização em julho, quando manifestou reservas relativamente à realização da etapa naquele percurso.

Segundo os ambientalistas, o conjunto de condicionantes agora definido reconhece explicitamente a elevada sensibilidade ecológica dos locais atravessados pela prova e estabelece mecanismos eficazes para compatibilizar o evento desportivo com a conservação da natureza.

A associação considera que a interdição ao público e as restantes limitações impostas reduzem significativamente o eventual impacto da competição sobre os habitats classificados da Mata da Albergaria.

Coordenação entre entidades é considerada essencial

A Zero destacou igualmente a importância da articulação prevista entre a organização da Volta a Portugal, o ICNF, as autarquias e as forças de segurança para garantir o cumprimento das medidas de proteção ambiental.

A associação valoriza ainda as ações de sensibilização ambiental previstas para informar os visitantes sobre boas práticas em áreas protegidas, considerando que estas iniciativas poderão transformar a prova numa oportunidade para promover o conhecimento e o respeito pelo património natural do Parque Nacional da Peneda-Gerês.

Etapa continua a gerar debate

A passagem da Volta a Portugal pelo Parque Nacional da Peneda-Gerês tem sido alvo de debate desde o anúncio do percurso, com várias organizações ambientalistas a alertarem para os possíveis impactos da prova numa área classificada e reconhecida pela sua elevada biodiversidade.

Com as medidas agora anunciadas pelo ICNF, pretende-se conciliar a realização de um dos maiores eventos do ciclismo nacional com a preservação dos valores naturais de um dos mais importantes espaços protegidos de Portugal.

A 87.ª Volta a Portugal decorre entre 5 e 16 de agosto, ligando Lisboa ao Porto ao longo de 1.388 quilómetros, distribuídos por um prólogo, nove etapas em linha e um contrarrelógio.

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