Incêndio destrói cerca de 2.000 hectares de olival e vinha em Trás-os-Montes e deixa agricultores em alerta

Fogos consumiram mais de 6.200 hectares nos concelhos de Mirandela e Vinhais. Autarcas exigem rapidez na atribuição de apoios para evitar o abandono da atividade agrícola.

Os incêndios que deflagraram na passada semana em Trás-os-Montes provocaram elevados prejuízos na agricultura, destruindo cerca de 2.000 hectares de olival e vinha nos concelhos de Mirandela e Vinhais, no distrito de Bragança.

Os números foram avançados pelos presidentes das duas câmaras municipais, após uma visita do ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes, às zonas mais afetadas pelo fogo, que teve início no concelho de Valpaços, distrito de Vila Real, antes de se propagar aos concelhos transmontanos.

Mais de seis mil hectares consumidos pelas chamas

De acordo com os dados preliminares, o incêndio consumiu 5.800 hectares no concelho de Mirandela e cerca de 450 hectares em Vinhais.

Em Mirandela, aproximadamente 1.800 hectares correspondem a áreas agrícolas, sendo que cerca de 80% dessa área é ocupada por olivais, uma das principais culturas do concelho.

O presidente da Câmara Municipal de Mirandela, Vítor Correia, alertou para o forte impacto económico provocado pela destruição destas explorações agrícolas.

“O olival é o nosso maior problema, porque é a nossa maior área. Sabemos que Mirandela é uma terra de oliveiras e essa é, naturalmente, a cultura mais prejudicada”, afirmou.

Autarcas pedem rapidez na chegada dos apoios

Durante a visita ministerial, foram anunciados apoios financeiros destinados aos agricultores afetados.

Segundo o modelo apresentado pelo Governo, os prejuízos até 10 mil euros serão comparticipados a 100%, enquanto os apoios para valores superiores poderão atingir um cofinanciamento mínimo de 50%, até ao limite de 400 mil euros.

Para Vítor Correia, mais importante do que o montante disponível é a rapidez com que o apoio chega ao terreno.

“O que precisamos é de rapidez de execução para que o dinheiro possa chegar o mais depressa possível e o sistema produtivo seja recuperado rapidamente.”

O autarca recordou ainda que muitos agricultores irão enfrentar vários anos sem produção, sobretudo nas explorações de olival, cuja recuperação exige tempo.

Agricultores enfrentam anos difíceis

Além dos prejuízos imediatos, a principal preocupação prende-se com o futuro da atividade agrícola.

Segundo o presidente da Câmara de Mirandela, existe um sentimento generalizado de desânimo entre os produtores, muitos dos quais ponderam abandonar a atividade.

“A agricultura é a principal atividade económica do concelho. Não podemos ter agricultores desanimados nem sem esperança. Precisam de sentir que existe apoio e que há medidas concretas para recuperar.”

Vinhais também reclama medidas específicas

No concelho de Vinhais, as chamas consumiram 450 hectares, afetando sobretudo as freguesias de Vale das Fontes e Rebordelo.

De acordo com o presidente da autarquia, Luís Fernandes, foram destruídos mais de 30 hectares de olival em Vale das Fontes e cerca de 10 hectares de olival e vinha em Rebordelo.

O autarca defendeu que as medidas de apoio devem abranger também os agricultores com prejuízos de menor dimensão e recordou que estas freguesias já tinham sido afetadas por incêndios nos últimos anos.

Segundo Luís Fernandes, a repetição destes episódios torna ainda mais urgente a implementação de medidas específicas que permitam recuperar a atividade agrícola e apoiar as populações locais.

Agricultura é um dos setores mais afetados

Os incêndios registados em Trás-os-Montes voltam a evidenciar a vulnerabilidade de um território onde a agricultura representa um dos principais motores económicos.

A destruição de milhares de hectares de olival e vinha terá impacto não apenas na campanha agrícola deste ano, mas também na produção dos próximos anos, reforçando a necessidade de uma resposta célere que permita recuperar explorações, preservar o rendimento dos agricultores e evitar o abandono da atividade agrícola.

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