UMinho lidera projeto europeu de 1,5 milhões para antecipar os efeitos das alterações climáticas na biodiversidade

Universidade do Minho coordena o projeto europeu GENE2ECO, financiado pelo Horizonte Europa, que utilizará tecnologias de ponta para compreender o funcionamento dos ecossistemas e prever os impactos das alterações climáticas e da poluição.

A Universidade do Minho (UMinho), através do Centro de Biologia Molecular e Ambiental (CBMA), vai liderar o projeto europeu GENE2ECO, uma iniciativa financiada em 1,5 milhões de euros pelo programa Horizonte Europa, destinada a desenvolver novas ferramentas para estudar a biodiversidade e antecipar os efeitos das alterações climáticas nos ecossistemas.

O projeto foi selecionado num dos concursos mais competitivos da União Europeia, onde apenas 11% das mais de 1.900 candidaturas apresentadas obtiveram financiamento.

Nova abordagem para compreender os ecossistemas

Coordenado pela professora catedrática Cláudia Pascoal, o GENE2ECO pretende revolucionar a forma como a biodiversidade é analisada, recorrendo a tecnologias moleculares e computacionais de última geração.

Em vez de identificar apenas as espécies presentes num determinado habitat, a investigação procurará compreender o papel que cada comunidade biológica desempenha no funcionamento dos ecossistemas.

Segundo Cláudia Pascoal, o objetivo passa por utilizar ferramentas completamente diferentes das atualmente utilizadas, permitindo uma análise muito mais aprofundada.

“Não é apenas saber quem está presente, mas perceber o que essas comunidades estão a fazer. Esta abordagem permite caracterizar funcionalmente os ecossistemas e compreender melhor o seu funcionamento”, explica a investigadora.

Prever os impactos das alterações climáticas

Ao longo dos próximos três anos, a equipa científica irá recolher amostras de água, solo e plantas em diferentes ambientes, cruzando informação espacial e temporal para construir modelos capazes de prever a evolução dos ecossistemas.

Os investigadores pretendem compreender de que forma a biodiversidade responderá às alterações climáticas, à poluição e a outras pressões ambientais, produzindo conhecimento que poderá apoiar futuras estratégias de conservação da natureza.

O projeto procura ainda antecipar as consequências destas alterações para o bem-estar humano, reforçando a importância da biodiversidade na manutenção dos serviços essenciais prestados pelos ecossistemas.

Parceria internacional de excelência

Além da Universidade do Minho, o GENE2ECO reúne algumas das mais prestigiadas instituições científicas europeias, nomeadamente:

  • European Molecular Biology Laboratory (EMBL), da Alemanha;
  • Naturalis Biodiversity Center, dos Países Baixos.

A colaboração permitirá o desenvolvimento de novas metodologias científicas, bem como a formação de investigadores através de programas de intercâmbio e capacitação internacional.

Investimento também aposta na formação científica

Parte do financiamento europeu será destinada ao reforço das competências das equipas de investigação, promovendo a mobilidade de investigadores entre as instituições parceiras e criando condições para o desenvolvimento de futuros projetos científicos.

Cláudia Pascoal considera que esta iniciativa deverá funcionar como um verdadeiro ponto de partida para novas linhas de investigação na área da biodiversidade e da sustentabilidade ambiental.

Projeto decorrerá durante três anos

Com uma duração prevista de 36 meses, o GENE2ECO reforça a posição da Universidade do Minho e do Centro de Biologia Molecular e Ambiental entre as instituições europeias de referência na investigação sobre biodiversidade, alterações climáticas e proteção dos ecossistemas, contribuindo para o desenvolvimento de soluções científicas capazes de responder aos desafios ambientais das próximas décadas.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here