Estudo da CBRE revela que a oferta de alojamento universitário especializado está muito abaixo da procura, enquanto o setor já captou 1,2 mil milhões de euros em investimento desde 2019
Portugal continua a enfrentar uma grave escassez de alojamento estudantil, com um défice estimado de 119 mil camas, segundo um estudo divulgado pela consultora imobiliária CBRE. A reduzida oferta de residências universitárias especializadas está a obrigar milhares de estudantes a recorrer ao mercado de arrendamento tradicional, aumentando a pressão sobre a habitação nas principais cidades do país.
Atualmente, o universo de estudantes deslocados e internacionais ascende a cerca de 227 mil, mas existem apenas 28 mil camas em residências estudantis públicas e privadas, uma diferença que evidencia o desequilíbrio estrutural entre a procura e a capacidade instalada.
Procura continua a crescer
O estudo indica que a procura por alojamento especializado, conhecido internacionalmente como Purpose-Built Student Accommodation (PBSA), continua a aumentar de forma consistente.
Dos 227 mil estudantes que necessitam de alojamento, cerca de 147 mil são estudantes nacionais deslocados, representando aproximadamente 36% do universo do ensino superior em Portugal. A estes juntam-se mais de 80 mil estudantes internacionais, cujo número tem vindo a crescer graças à crescente atratividade das instituições portuguesas.
Segundo a CBRE, fatores como a segurança, a qualidade do ensino superior e um custo de vida relativamente competitivo continuam a tornar Portugal um destino cada vez mais procurado por estudantes estrangeiros.
119 mil estudantes dependem do mercado de arrendamento
Com apenas 28 mil camas disponíveis em residências universitárias, aproximadamente 119 mil estudantes são obrigados a procurar alojamento no mercado convencional, contribuindo para o aumento da procura por quartos e apartamentos, sobretudo em cidades como Lisboa e Porto.
Mesmo com a entrada prevista de cerca de 3.000 novas camas até 2027, a consultora considera que a expansão será insuficiente para responder ao crescimento da procura, mantendo Portugal entre os países europeus com menor cobertura de alojamento estudantil especializado.
Investimento supera os 1,2 mil milhões de euros
A escassez de oferta tem despertado um forte interesse dos investidores no segmento das residências universitárias.
Desde 2019, Portugal captou cerca de 1,2 mil milhões de euros em investimento neste mercado, sendo 98% desse montante proveniente de capital internacional.
A crescente procura e o reduzido nível de oferta continuam a tornar este segmento um dos mais atrativos do setor imobiliário nacional.
Mercado continua a despertar interesse internacional
Para Igor Borrego, Head of Capital Markets da CBRE Portugal, o mercado nacional apresenta condições muito favoráveis para continuar a crescer.
Segundo o responsável, o forte desequilíbrio entre procura e oferta, aliado ao aumento do número de estudantes internacionais, faz de Portugal um dos mercados europeus com maior potencial de valorização no segmento das residências universitárias.
A CBRE considera que os 1,2 mil milhões de euros investidos nos últimos anos refletem a confiança dos investidores internacionais e demonstram a crescente maturidade deste mercado, embora alerte que será necessário aumentar significativamente a capacidade instalada para responder às necessidades dos estudantes e aliviar a pressão sobre o mercado habitacional convencional.



































