Estudo da Randstad revela crescimento dos salários mais elevados, enquanto a maioria dos trabalhadores permanece concentrada nos escalões intermédios-baixos
O número de trabalhadores por conta de outrem em Portugal com um salário líquido mensal igual ou superior a 3.000 euros quadruplicou na última década, passando de 28,7 mil em 2016 para 125 mil no segundo trimestre de 2026. Os dados constam de uma análise da Randstad Research, baseada no Inquérito ao Emprego do Instituto Nacional de Estatística (INE).
Só no último ano, este grupo cresceu 27%, aumentando de 98,3 mil para 125 mil profissionais, e representa atualmente 2,7% dos trabalhadores por conta de outrem.
Maioria continua entre os 900 e os 1.200 euros
Apesar do crescimento dos salários mais elevados, a realidade da maioria dos trabalhadores mantém-se bastante diferente.
A faixa salarial entre 900 e 1.200 euros líquidos mensais continua a ser a mais representativa, abrangendo 34,1% dos assalariados, o equivalente a cerca de 1,56 milhões de pessoas.
Os dados mostram que a estrutura salarial portuguesa continua fortemente concentrada nos escalões intermédios-baixos.
Persistem diferenças entre homens e mulheres
O estudo evidencia também desigualdades na distribuição dos salários mais elevados.
Entre os trabalhadores que recebem pelo menos 3.000 euros líquidos por mês:
- 69,2% são homens;
- 30,8% são mulheres.
O setor dos serviços concentra 78,7% destes profissionais, refletindo o peso das atividades de maior valor acrescentado na economia portuguesa.
Lisboa e Norte concentram os salários mais elevados
A distribuição geográfica revela igualmente fortes assimetrias.
A Grande Lisboa reúne cerca de 49 mil trabalhadores neste escalão salarial, enquanto a região Norte concentra 33,2 mil.
Em conjunto, estas duas regiões representam 65,9% dos profissionais com remunerações líquidas superiores a 3.000 euros mensais.
Desemprego atinge mínimo histórico
O segundo trimestre de 2026 ficou igualmente marcado por indicadores positivos no mercado de trabalho.
A taxa de desemprego desceu para 5,3%, o valor mais baixo desde 2011, correspondendo a cerca de 300.800 desempregados.
Ao mesmo tempo, a população ativa ultrapassou pela primeira vez os 5,7 milhões de pessoas, enquanto a população empregada aumentou para cerca de 5,4 milhões de trabalhadores.
Indústria e construção impulsionam o emprego
Os setores que mais contribuíram para a criação de emprego foram:
- Indústrias transformadoras: +30,2 mil trabalhadores;
- Construção: +21,9 mil;
- Educação: +15,1 mil;
- Hotelaria: +13,2 mil;
- Saúde: +12,2 mil;
- Comércio: +9,5 mil.
Em sentido contrário, as atividades ligadas às telecomunicações, programação informática e consultoria perderam 18,6 mil trabalhadores, registando a maior quebra entre os principais setores económicos.
Teletrabalho continua a crescer
O recurso ao teletrabalho mantém a tendência de crescimento e já abrange 21,3% dos trabalhadores em Portugal, o equivalente a cerca de 1,15 milhões de pessoas.
A Grande Lisboa continua a ser a região com maior incidência de trabalho remoto (34,5%), enquanto os Açores registam a menor percentagem (9,2%).
Mercado de trabalho mais forte, mas desafios permanecem
Segundo a Randstad, os resultados mostram um mercado de trabalho robusto, com desemprego em mínimos históricos e valorização crescente das profissões mais qualificadas.
No entanto, o estudo alerta que continuam a existir desafios importantes, nomeadamente as desigualdades salariais entre homens e mulheres, as diferenças regionais e a dificuldade em reter talento jovem, bem como a necessidade de adaptação de setores como o das tecnologias às novas exigências do mercado.


































