Marcos Rodríguez Pantoja morreu aos 72 anos. Viveu parte da infância e adolescência isolado na Serra Morena, onde aprendeu a sobreviver na natureza e desenvolveu uma relação singular com lobos e outros animais
Marcos Rodríguez Pantoja, conhecido como o “menino-lobo da Serra Morena”, morreu aos 72 anos, depois de uma vida marcada por uma infância passada em condições extremas e por mais de uma década de isolamento entre animais selvagens.
A morte aconteceu no sábado, 15 de agosto, na aldeia de Rante, no município de Ourense, na Galiza, local onde Marcos escolheu viver nos últimos anos. As causas da morte não foram divulgadas. As cerimónias fúnebres realizaram-se no dia seguinte.
Uma infância marcada pelo abandono
Marcos teve uma infância particularmente difícil. Depois da morte da mãe, o pai voltou a constituir família e, quando o rapaz tinha apenas seis anos, entregou-o a um pastor que vivia na Serra Morena, cordilheira situada no sul de Espanha.
O pastor tornou-se durante vários anos a principal figura humana na vida da criança e ensinou-o a sobreviver na montanha, recorrendo aos recursos disponíveis na natureza.
Quando o pastor morreu, Marcos ficou entregue a si próprio. Sem contacto regular com outras pessoas, desenvolveu estratégias de sobrevivência e passou a conviver com animais selvagens, incluindo lobos.
Encontrado aos 19 anos
Marcos foi encontrado pela Guardia Civil aos 19 anos, depois de mais de uma década afastado da sociedade. Segundo os relatos sobre o seu resgate, foi localizado descalço e praticamente sem roupa, apresentando comportamentos pouco habituais e comunicando através de grunhidos.
O regresso à vida em sociedade revelou-se particularmente difícil. Depois de uma infância marcada pelo abandono e pelo isolamento, Marcos teve de aprender novamente regras, hábitos e formas de relacionamento que lhe eram desconhecidos.
“Menino-lobo” recordou primeiros contactos com os animais
Ao longo dos anos, Marcos contou em várias entrevistas episódios da sua vida na Serra Morena e da relação que estabeleceu com os animais.
Numa entrevista ao 20minutos, recordou os primeiros contactos com os lobos e descreveu a experiência de viver junto das crias, num testemunho que ajudou a alimentar o interesse pela sua extraordinária história de sobrevivência.
História chegou aos livros e ao cinema
A vida de Marcos Rodríguez Pantoja despertou o interesse de investigadores e escritores. O antropólogo Gabriel Janer Manila estudou o seu caso e publicou o livro “He jugado con lobos” — “Brinquei com os lobos” — baseado na sua história.
A história chegou também ao cinema. Em 2010 estreou “Entrelobos”, filme inspirado na vida do “menino-lobo”, no qual o próprio Marcos participou.
Marcos Rodríguez Pantoja acabou por transformar uma infância de abandono e isolamento numa das histórias mais singulares de sobrevivência em Espanha, ficando conhecido por uma relação excecional com a natureza e pelos anos que passou longe da sociedade.


































