Braga volta a ultrapassar limite de dióxido de azoto e tráfego automóvel está no centro das preocupações

Avenida Frei Bartolomeu dos Mártires mantém-se entre as zonas urbanas portuguesas com maiores concentrações de NO₂. Organizações ambientais alertam para os impactos na saúde e pedem medidas para reduzir a circulação dos veículos mais poluentes.

A qualidade do ar volta a levantar preocupações em Braga. A estação de monitorização localizada na Avenida Frei Bartolomeu dos Mártires registou concentrações anuais de dióxido de azoto (NO₂) superiores ao atual limite legal, colocando aquela zona da cidade entre as áreas urbanas portuguesas mais afetadas por este poluente.

Os dados são divulgados pela Zero e pelo Conselho Português para a Saúde e Ambiente (CPSA), tendo por base os registos do sistema QualAr, da Agência Portuguesa do Ambiente.

A estação de Braga surge, neste indicador, ao lado da estação da Avenida da Liberdade, em Lisboa, com valores acima do limite anual atualmente fixado nos 40 microgramas por metro cúbico.

Tráfego automóvel é uma das principais fontes

O dióxido de azoto está fortemente associado às emissões provenientes dos veículos equipados com motores de combustão, sendo particularmente preocupante em zonas urbanas com elevada circulação automóvel.

A exposição a concentrações elevadas de NO₂ pode contribuir para a irritação das vias respiratórias, agravar situações de asma e aumentar o risco de problemas respiratórios e cardiovasculares.

Os resultados analisados pelas duas organizações mostram ainda que a situação poderá tornar-se mais exigente nos próximos anos, devido ao reforço dos limites europeus para a qualidade do ar.

Sete estações já acima do futuro limite europeu

Das 16 estações de monitorização localizadas junto a zonas de tráfego analisadas, sete registaram concentrações superiores a 20 microgramas por metro cúbico.

Este valor corresponde ao novo limite anual europeu que deverá ser cumprido até 2030, tornando evidente que várias zonas urbanas portuguesas terão de reduzir os níveis de poluição atmosférica nos próximos anos.

A situação é ainda mais abrangente quando comparada com as recomendações da Organização Mundial da Saúde: 15 das 16 estações apresentaram valores superiores aos 10 microgramas por metro cúbico recomendados pela OMS.

Zero e CPSA defendem menos carros e mais transporte sustentável

Perante estes resultados, a Zero e o CPSA defendem a adoção de medidas concretas para reduzir a exposição da população à poluição atmosférica.

Entre as propostas estão a redução do tráfego automóvel em zonas urbanas, a limitação da circulação dos veículos mais poluentes e a aposta na eletrificação dos transportes pesados e da logística urbana.

As organizações defendem igualmente o reforço dos espaços verdes e a criação de corredores arborizados, que podem contribuir para melhorar a qualidade ambiental nas cidades.

Poluição associada a milhares de mortes prematuras

A Zero e o CPSA estimam que a poluição atmosférica esteja associada a cerca de 4.200 mortes prematuras por ano em Portugal.

As duas entidades consideram que uma parte destes casos poderia ser evitada através da redução da exposição da população aos principais poluentes atmosféricos.

Em Braga, os dados relativos à Avenida Frei Bartolomeu dos Mártires voltam, assim, a colocar a qualidade do ar e o impacto do tráfego automóvel no centro do debate sobre mobilidade e saúde pública na cidade.

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