Presidente da Câmara reconhece a gravidade da crise habitacional, mas rejeita as pinturas no edifício municipal. Autarca alerta ainda para a normalização de discursos de intimidação e garante que não ficará em silêncio perante comportamentos que considera inaceitáveis.

O presidente da Câmara Municipal de Braga, João Rodrigues, condenou a vandalização do edifício dos Paços do Concelho, cujas paredes foram pintadas com a frase «Sem casas não há futuro».

Numa reação pública divulgada esta quinta-feira, o autarca reconhece a legitimidade das preocupações relacionadas com as dificuldades no acesso à habitação, mas considera que a defesa de uma causa, por mais importante que seja, não justifica atos de vandalismo contra o património público.

«Concordo com a frase, mas condeno em absoluto a forma escolhida para a escrever», afirma João Rodrigues, numa posição que procura distinguir a reivindicação do direito à habitação dos métodos utilizados para chamar a atenção para o problema.

«O silêncio começa a incomodar»

O presidente da Câmara começa por manifestar preocupação com aquilo que considera ser um silêncio crescente perante comportamentos que condena.

«E o silêncio começa a incomodar», escreve, acrescentando que esta inquietação é partilhada por outras pessoas, de acordo com aquilo que tem ouvido e observado.

João Rodrigues admite compreender a indignação de quem enfrenta dificuldades para suportar os custos de uma casa e reconhece que há ainda muito trabalho a desenvolver nesta área.

No entanto, considera que a gravidade da crise habitacional não pode servir de justificação para qualquer forma de protesto.

«Isso não pode servir de desculpa para tudo», sustenta o autarca, defendendo que a legitimidade das reivindicações deve coexistir com o respeito pelo património público.

Autarca alerta para discursos de intimidação e ameaça

A reação do presidente da Câmara de Braga vai além da vandalização dos Paços do Concelho. No comunicado, João Rodrigues manifesta também preocupação com aquilo que descreve como uma crescente normalização de discursos de intimidação e ameaça.

O autarca refere, em particular, apelos à reprodução, em Portugal, de confrontos e episódios de violência ocorridos em França.

«Preocupa-me a normalização de discursos de intimidação e ameaça», afirma, apontando igualmente o receio de algumas pessoas em condenarem esses comportamentos por poderem ser interpretadas como estando contra o direito à habitação.

«Preocupa-me o silêncio de quem receia condená-los, não vá parecer que está contra o direito à habitação», acrescenta.

«Não ficaremos calados perante aquilo que considero inaceitável»

João Rodrigues defende que a condenação de atos de vandalismo e de discursos intimidatórios não deve ser confundida com insensibilidade perante os problemas sociais.

O autarca sublinha que o respeito pelo património público e pela liberdade de expressão deve fazer parte do debate sobre a habitação, sem que a defesa de um destes princípios seja apresentada como incompatível com os restantes.

Na parte final da mensagem, garante que o município continuará disponível para ouvir as preocupações da população, reconhecer as dificuldades existentes e trabalhar na procura de soluções para a crise habitacional.

Essa disponibilidade, porém, não significa aceitar comportamentos que considera inaceitáveis.

«Continuaremos a ouvir, a reconhecer as dificuldades e a trabalhar por soluções. Mas não ficaremos calados perante aquilo que considero inaceitável», conclui o presidente da Câmara Municipal de Braga.

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