Gil Vicente e Vitória SC não saem do nulo em Barcelos

Jogo no Estádio Cidade de Barcelos foi marcado pelo boicote das claques vimaranenses

O Gil Vicente e o Vitória SC empataram a zero na 10.ª jornada da I Liga. O encontro decorreu no Estádio Cidade de Barcelos e foi marcado pelo boicote das claques do Vitória, tendo apenas cerca de 300 adeptos vimaranenses acompanhado a equipa.

Luís Pinto reencontrou o Vitória, clube pelo qual conquistou a Taça da Liga na última temporada. Aos 37 minutos, o Gil Vicente esteve muito perto de marcar: após um cruzamento de Santi García, Lausen cabeceou ao primeiro poste, mas a bola embateu na trave. Na segunda parte, aos 67 minutos, Santi García voltou a ameaçar, com um remate que passou rente ao poste. Nenhuma das equipas conseguiu marcar.

Com este resultado, o Gil Vicente ocupa o sétimo lugar, com 15 pontos. O Vitória, treinado por Tiago Margarido, está no 13.º lugar, com 9 pontos.

O treinador do Vitória SC considerou que o empate acabou por ser um resultado justo, destacando a solidez defensiva da equipa, que somou o terceiro jogo consecutivo sem sofrer golos. Na análise às primeiras dez jornadas sob o seu comando, valorizou a evolução do grupo, embora reconheça que a equipa merecia ter mais pontos. O técnico sublinhou ainda a importância de ter conquistado o primeiro ponto fora de casa no campeonato.

Análise ao jogo

Acho que entrámos bem no jogo e conseguimos dar a sensação de alguma segurança, mas, cinco minutos depois, o adversário também teve uma situação de muito perigo. Na segunda parte, conseguimos ligar bem a primeira fase de construção com a segunda, mas já não fomos tão incisivos na terceira fase. Ainda assim, fomos tentando chegar à baliza adversária.

A ausência dos adeptos teve influência?

Sinceramente, foi a primeira vez que isso aconteceu desde que estou aqui. É um facto que não se ajusta àquilo que é o nível de apoio a que estamos habituados, mas a verdade é que aconteceu.

Primeiro ponto fora de casa no campeonato

É verdade, foi o primeiro ponto que conseguimos conquistar fora de casa. Também temos de recordar os adversários que defrontámos nessa condição: Benfica, Sporting, Braga e Académico de Viseu. Foram jogos difíceis e hoje tivemos mais um desafio complicado. Vínhamos com a intenção de ganhar, mas o jogo acabou por ter um equilíbrio que torna este ponto justo. É também importante destacar que somámos o terceiro jogo consecutivo sem sofrer golos. Estamos com uma solidez defensiva que pretendemos manter e que é importante para aquilo que estamos a construir.

Balanço das primeiras dez jornadas

Temos muito mais pontos do que aqueles que a nossa realidade de jogo justificava, porque sentimos que merecíamos ter conquistado mais. A equipa tem apresentado uma evolução satisfatória e acredito que o futuro será positivo, precisamente pelos motivos que referi. Estamos a criar oportunidades, temos vindo a melhorar e sentimos que o caminho que estamos a percorrer nos vai permitir crescer.

O treinador reconheceu que o empate ficou aquém do pretendido, sobretudo pela falta de eficácia nos momentos de definição, mas considerou que a equipa voltou a demonstrar capacidade competitiva perante um adversário exigente. O técnico destacou as dificuldades criadas pela intensidade e organização do Vitória, elogiou a prestação de Esgaio numa posição adaptada e sublinhou que a sequência de jogos frente a adversários de elevado nível será importante para o crescimento da equipa.

Análise ao jogo

Foi um jogo muito difícil, que nos exigiu muito do ponto de vista mental e da estabilidade necessária para competir contra uma equipa que apresenta níveis de intensidade muito elevados ao longo dos jogos. O Vitória tem também uma capacidade de aceleração muito grande, porque transforma rapidamente uma jogada aparentemente normal numa situação de perigo no último terço. Isso exigiu muito dos nossos jogadores. Nos momentos ofensivos que tivemos, conseguimos ser competentes, mas não fomos tão eficazes como costumamos ser. Faltou-nos o golo. Não foi o nosso melhor jogo, mas acho que fomos competitivos.

A opção por Ricardo Esgaio numa posição mais central

No último jogo e na preparação para este tivemos apenas dois dias para preparar a equipa. Tínhamos de tomar algumas decisões e estávamos atentos à possibilidade de o jogador que habitualmente ocupa aquela posição estar disponível. Como não estava, tivemos de decidir quem iria jogar. O Esgaio é um jogador com um domínio muito grande do jogo, tanto do ponto de vista ofensivo como defensivo. O José (Silva) um miúdo que está a aparecer e que tem um nível muito interessante, com características próprias. O Vitória tem jogadores muito físicos, como o Camará e o Samu, e sentimos que a melhor opção seria dar estabilidade e experiência ao corredor central. A presença do Zé também nos dava uma dimensão física muito importante, permitindo-lhe equiparar-se aos extremos do Vitória. Acho que fez um jogo muito competente. Teve um desafio muito exigente, porque os jogadores do Vitória têm muita mobilidade e obrigam a dinâmicas defensivas diferentes. Não é uma equipa que tenha sempre um homem de referência para marcar, pelo que a experiência e o conhecimento do jogo do Esgaio foram importantes.

O conhecimento mútuo entre os treinadores condicionou o jogo?

Senti isso claramente. O Tiago é um treinador que tem um nível muito elevado de análise dos jogos e de preparação estratégica. Já conhecíamos aquilo que o Vitória costuma apresentar e sabíamos que, inicialmente, teríamos um jogo muito encaixado, até conseguirmos encontrar os espaços e perceber onde estavam as dinâmicas que nos permitiriam sair da primeira pressão. Na primeira parte, não foi fácil. Inicialmente, tivemos dificuldades em assumir o jogo e fomos obrigados a utilizar mais vezes o nosso guarda-redes como apoio. Os médios do Vitória tinham muitas referências sobre os nossos jogadores, o que tornou o jogo mais fechado e equilibrado. Depois conseguimos ajustar e, salvo erro, a melhor oportunidade da primeira parte foi nossa, com uma bola no poste. Tivemos uma excelente ocasião. Na segunda parte, conseguimos ter mais aproximações, mas faltou-nos alguma qualidade na definição. Houve uma altura em que o jogo ficou mais partido, mas existiu claramente um conhecimento mútuo das duas equipas. Tentámos conhecer o adversário e responder da melhor forma. Acho que o Tiago preparou muito bem o jogo e teve uma abordagem muito profissional.

Satisfeito com o crescimento da equipa perante uma sequência exigente de jogos?

Tive oportunidade de dizer isto no balneário: não vimos de um ciclo de exigência brutal para competir contra adversários de um nível muito elevado. Tivemos uma deslocação difícil a Braga e, a meio da semana, fomos jogar para a Taça, onde o objetivo principal era passar. Tivemos de disputar mais 30 minutos, mas conseguimos ultrapassar essa eliminatória. Depois tivemos esta sequência de jogos frente a FC Porto, Benfica e Vitória. O que sinto é que a equipa conseguiu competir em todos eles e demonstrar competência. É evidente que ainda não conseguimos manter esse nível durante tanto tempo quanto gostaríamos. No jogo com o Benfica, por exemplo, sentimos um pouco mais o desgaste provocado por este ciclo prolongado. Disse aos jogadores e acredito que esta sequência de jogos lhes vai dar uma bagagem muito importante para o futuro. Temos agora mais uma deslocação difícil, mas a grande diferença é que vamos ter mais dias de descanso, com uma semana de trabalho mais normal. Sinto que estes jogos nos ajudaram a preparar para aquilo que aí vem.

A falta de eficácia impediu a equipa de conquistar os três pontos?

Julgo que nos faltou maior assertividade na finalização. Tivemos algumas situações, sobretudo na parte final do jogo, em que podíamos ter feito melhor. Estamos a falar de ocasiões em que estávamos à entrada da área ou com espaço à nossa frente e podíamos ter rematado. É algo em que temos de crescer e que temos de melhorar no nosso jogo. Precisamos de colocar mais produção ofensiva e ser mais eficazes na definição das jogadas.

O reencontro com o Vitória de Guimarães

Foi um reencontro especial, antes e depois do jogo. São pessoas de quem gosto muito e com quem tive o privilégio de trabalhar. Tive a oportunidade de criar memórias que vão ficar sempre connosco, por isso foi muito bom voltar a encontrar essas pessoas. Teria sido ainda melhor se tivéssemos conseguido os três pontos, mas não foi possível. Vamos procurar consegui-los no próximo jogo.

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