Ponte da Barca levanta barreiras da fronteira da Madalena e deixa apelo a Marcelo

A Câmara Municipal de Ponte da Barca levantou hoje as barreiras da fronteira da Madalena, Lindoso, em protesto contra o encerramento daquele ponto de passagem. A ação simbólica, já que a passagem continua bloqueada por blocos de proteção colocados pela Infraestruturas de Portugal (IP), foi anunciada por aquela autarquia na sua página de Facebook.

O autarca Augusto Marinho, membros do executivo, presidentes de junta de freguesia, empresários e trabalhadores transfronteiriços, afetados pelo fecho das fronteiras, estiveram no local. E reclamaram “a abertura imediata” daquela fronteira.

“Esta situação é insustentável pois as empresas com transações internacionais estão a ser imensamente afetadas com o aumento dos custos inerentes ao crescimento das distâncias percorridas”, declarou Augusto Marinho, referindo que aquela fronteira “não tem nenhuma alternativa viável e os trabalhadores estão neste momento a fazer os antigos trilhos do contrabando, sendo estes caminhos perigosos e sem sinalização, colocando assim em risco a sua segurança”.

Acrescentou ainda que, com o encerramento daquela passagem, “os trabalhadores transfronteiriços são obrigados a percorrer mais cerca de 500 km por dia”. A autarquia retirou todo o material que fecha a fronteira.

“Deixo aqui um forte apelo ao senhor Presidente da República para que olhe para a situação deste posto transfronteiriço. Bem sei que é pedir um esforço adicional de meios humanos, mas nós necessitamos de viver”, afirmou.

Na sexta-feira, o Ministério da Administração Interna (MAI) informou que o controlo de pessoas nas fronteiras entre Portugal e Espanha vai manter-se até 1 de março devido à pandemia de covid-19, passando a existir a partir de segunda-feira mais dois Pontos de Passagem Autorizados (PPA), em Melgaço e Montalegre.

“Fui surpreendido com o facto de esta fronteira não reabrir. É inaceitável, não existe alternativa viável […]. Manter esta fronteira encerrada é um grande erro e uma grande injustiça, só quem não conhece a dinâmica desta fronteira ou faz uma gestão político-partidária – que quero acreditar que não seja o caso – é que toma a decisão de manter encerrada uma fronteira com o movimento que tem, quer ao nível de trabalhadores transfronteiriços, quer ao nível da intensa atividade de transporte de mercadorias”, defendeu, durante a ação, acompanhada à distância pela GNR.

O autarca social-democrata explicou que um trabalhador do concelho que até agora tinha de percorrer apenas 10 quilómetros para trabalhar do outro lado, em Lobios, na Galiza, tem agora de percorrer quase 600 quilómetros.

“É inviável. A falta de alternativa justifica que as pessoas se aventurem por estes montes e um dia mais tarde podermos estar aqui a fazer reportagem – Deus queira que não – de algum desaparecido ou outro desfecho. Não necessitamos de chegar a esse ponto”, apelou.

Augusto Marinho disse ter tido conhecimento do caso de um trabalhador que, num dia de muita chuva, em que um pequeno ribeiro ficou com o caudal mais elevado, caiu enquanto percorria um trilho: “Foi a pronta intervenção dos seus colegas, que permitiu que não houvesse um desfecho fatídico. São situações preocupantes como esta que têm de ser analisadas”, insistiu.

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