Portugal vai suspender a vacinação contra a Covid-19 da AstraZeneca a alguns grupos etários, avança a ‘SIC Notícias’, adiantando que ainda no decorrer do dia de hoje será anunciada uma decisão oficial por parte das autoridades de saúde portuguesas.

Segundo a estação televisiva, no anúncio que está previsto para esta quinta-feira, serão dados ainda mais detalhes, nomeadamente, que grupos concretos vão deixar de ser vacinados com este fármaco, na sequência dos mais recentes desenvolvimentos, que ligam a vacina a tromboembolismos.

As dúvidas começaram quando o regulador médico da Noruega reportou quatro casos de coagulação, seguindo-se relatórios semelhantes da Dinamarca, Itália e Áustria. No final da semana passada, muitos países estavam a atacar novamente a Agência Europeia de Medicamentos, (EMA), depois de esta ter dito que a vacina da AstraZeneca era segura.

As reações dos países agravaram-se com as declarações de Marco Cavaleri, um responsável da estratégia de vacinação da EMA, que referiu na terça-feira a um jornal italiano que tinham encontrado uma «clara ligação» entre esse tipo de problemas e a vacina da AstraZeneca.

Entretanto ontem o regulador europeu, apesar de admitir existir uma «possível ligação» entre a vacina e os coágulos sanguíneos, voltou a garantir que os benefícios são superiores aos riscos», mas muitos países têm restringido a vacinação com este fármaco apenas a grupos etários mais velhos.

Vários países suspenderam a vacina para faixas etárias mais novas

A Coreia do Sul suspendeu ontem o uso da vacina em pessoas com menos de 60 anos, devido a preocupações relativamente à formação de cóagulos sanguíneos. Jeong Eun-kyeong, diretor da Agência de Controlo e Prevenção de Doenças sul-coreana, afirmou que a decisão, a título preventivo, visa “colocar acima de tudo a segurança das pessoas que recebem as vacinas contra a covid-19”.

O Comité Nacional de Aconselhamento sobre Imunização do Canadá está a recomendar uma pausa na vacinação da AstraZeneca contra a Covid-19 a pessoas com menos de 55 anos. “Embora ainda acreditemos que os benefícios para todas as idades superam os riscos, não me sinto confortável. Quero ver mais dados da Europa para saber exatamente os benefícios desse risco”, afirmou Ross Reimer, coordenador da task force do país.

O Reino Unido anunciou esta decisão na quarta-feira, com o regulador a recomendar que a maioria das pessoas com menos de 30 anos deve receber uma vacina alternativa à da AstraZeneca, «sempre que possível».

A Bélgica anunciou no mesmo dia que vai restringir a vacina da AstraZeneca a pessoas com mais de 55 anos. O Ministério da Saúde disse que a mudança “terá pouco ou nenhum impacto na campanha de vacinação em andamento, já que os idosos estão a ser vacinados”.

Também Itália recomenda o uso da vacina AstraZeneca apenas para pessoas com mais de 60 anos de idade. Para quem já tenha tomado a primeira dose, não haverá alterações.

Espanha também vai administrar a vacina AstraZeneca apenas a pessoas com mais de 60 anos. A ministra da Saúde, Carolina Darias, disse esta quinta-feira que será tomada uma decisão sobre a administração da segunda dose da vacina em pessoas que já receberam a primeira dose. A região autónoma espanhola de Castilla y León decidiu suspender totalmente o uso da vacina.

Estónia, Holanda, Filipinas e Austrália seguem a mesma linha e recomendaram que a vacina da AstraZeneca fosse utilizada apenas em pessoas até aos 60 anos.

A Alemanha também limitou, no final do mês de março, o uso da injeção a pessoas com mais de 60 anos e grupos de alta prioridade, após relatos de um raro distúrbio no sangue cerebral. A 1 de abril, a comissão de vacinas da Alemanha recomendou que as pessoas com menos de 60 anos que receberam a primeira injeção da vacina da AstraZeneca recebessem um produto diferente para a segunda dose.

A Suécia interrompeu o uso da vacina AstraZeneca também no mês passado, após relatos de coágulos sanguíneos raros, mas graves, entre pessoas vacinadas com a vacina AstraZeneca. Mais tarde o país retomou o seu uso, mas apenas para pessoas com mais de 65 anos.

Líderes portugueses pedem reposta coordenada da UE

Tanto o primeiro-ministro, como o Presidente da República, e até a ministra da saúde, apelaram na quarta-feira à união e «atuação coordenada» dos estados-membros em matéria de vacinas.

António Costa considera que as autoridades nacionais e todos os estados-membros da União Europeia (UE) devem respeitar as decisões da Agência Europeia do Medicamento (EMA) e evitar tomar medidas unilaterais.

Para o governante, é «fundamental que, ao menos na UE, haja uma atuação coordenada» e aguarda que os técnicos tenham uma «posição clara, compreensível e que dê tranquilidade».

Já Marcelo Rebelo de Sousa indica que a polémica da AstraZeneca «é uma situação incómoda para a Europa como um todo» e sublinha que «os estados reagem de forma diferente» perante o surgimento de dúvidas sobre a eficácia das vacinas, o que não devia acontecer.

O facto de «não haver uma posição unida, clara e duradoura em matéria de vacinas», por parte dos estados-membros da UE, «perturba as opiniões públicas», defende.

Também Marta Temido defendeu uma «participação determinada» na construção do projeto da União Europeia da Saúde, alegando a necessidade de uma resposta europeia concertada à pandemia da covid-19. «Se permanecermos unidos, seremos mais fortes na nossa capacidade de resposta» à pandemia, salientou a responsável na quarta-feira.

Segundo a governante, esta necessidade de concertação no combate à covid-19 convoca «uma participação determinada na construção de uma União Europeia da Saúde», projeto que, num primeiro momento, implica a aprovação de um pacote legislativo específico.

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