O escritor e cronista Miguel Esteves Cardoso (MEC) ficou rendido à beleza única dos domingos em Barcelos, marcada pelas cantadeiras e músicos populares que enchem de vida e emoção as ruas da cidade. A experiência, vivida no passado domingo durante a sua presença na Feira do Livro de Barcelos, foi o mote da sua crónica diária publicada no jornal Público.

“Se nunca foi a Barcelos, não vá a um domingo. A não ser que goste de chorar”, escreveu o autor, num texto que rapidamente se tornou viral pelas redes sociais.

Para MEC, o que se vive em Barcelos não é apenas música: é espontaneidade pura. O som vem de grupos informais, sem palco, sem microfones, sem marketing – apenas gente a cantar por prazer, entre o Largo da Porta Nova e a Avenida da Liberdade.

“Canta-se tanto — e tão bem — que só umas poucas pessoas param para ver quem canta”, descreve o cronista, impressionado com a naturalidade com que a população se entrega à arte.

O escritor destaca a ausência de espetáculo montado: “Não há bilhetes. Não há multidão. Só há vozes livres, perto de nós. É isso que faz chorar”.

MEC não esconde a emoção diante do que considera uma verdadeira dádiva coletiva:

“Gostam muito de cantar – muito mais do que nós gostamos de ouvir. É isso que faz chorar: é uma dádiva. Em Barcelos, a música ainda se dá.”

Apesar de temer que um dia a autenticidade possa ser absorvida pelas lógicas do mercado e do turismo, o escritor acredita que Barcelos “vai-se aguentar”, pois já nasceu com esse espírito criativo e livre, que faz da música uma forma de resistir à rotina e à dureza da vida.

A crónica publicada no Público, embora de acesso restrito, está a ser amplamente comentada nas redes sociais e em fóruns culturais, com muitos a partilharem vídeos e memórias das tardes musicais da cidade.

A passagem de Miguel Esteves Cardoso por Barcelos deixa um registo íntimo e profundo sobre a identidade cultural da cidade, reforçando o seu lugar no mapa da cultura popular portuguesa.